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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Portugal admite participar em operações de desminagem no Estreito de Ormuz

O ministro da Defesa Nacional lembrou que Portugal já participou nas operações navais da UE Aspides, no Mar Vermelho, e Atalanta, no Oceano Índico.

18 de junho de 2026 às 15:09

O ministro da Defesa Nacional afirmou esta quinta-feira que Portugal admite integrar operações de desminagem no Estreito de Ormuz com veículos não tripulados e está a estudar o reforço da sua participação nas missões da UE no Médio Oriente.

Em declarações aos jornalistas no final de uma reunião dos ministros da Defesa da NATO, em Bruxelas, Nuno Melo referiu que "grande parte da economia global" depende da livre navegação no Estreito de Ormuz e indicou que Portugal está a "estudar a possibilidade" de reforçar a sua participação em operações navais no Médio Oriente.

O ministro lembrou que Portugal já participou nas operações navais da UE Aspides, no Mar Vermelho, e Atalanta, no Oceano Índico.

"E ponderamos a possibilidade de reforço a três níveis. Um: de pessoal, no quartel-general. Segundo: no que tem que ver com a luta antiminas e aí com veículos não tripulados que serão entregues, se assim for decidido oportunamente. E também com a possibilidade de utilização de informações nacionais recolhidas via satélite e subaquáticas para esse esforço", afirmou.

Nuno Melo indicou que "tudo isto que está a ser ponderado e será levado oportunamente a Conselho Superior de Defesa Nacional para que possa, nos termos da lei, ser decidido".

Interrogado se isso significa que Portugal poderá participar em operações de desminagem no Estreito de Ormuz, o ministro da Defesa Nacional respondeu: "Se as condições se verificarem, Portugal poderá, com as nossas capacidades, participar nesse esforço".

"Com as nossas capacidades, não para além delas", ressalvou.

Sobre se essa eventual participação portuguesa no Estreito de Ormuz seria feita ao abrigo da iniciativa da França e Alemanha que visa garantir a livre circulação nessa via marítima, o ministro referiu que será feita no âmbito do "esforço coletivo" que está a ser pedido aos Aliados da NATO.

Em termos de eventual reforço de meios humanos nas operações navais da UE no Médio Oriente, Nuno Melo disse que ainda não foram definidos números.

"Neste momento, o estudo está a acontecer, envolvendo, desde logo, como é suposto, o Estado-Maior-General das Forças Armadas, ouvidos os ramos que, no aconselhamento que prestam, depois justificarão a proposta que será apresentada ao Conselho Superior de Defesa Nacional pelo Governo", indicou.

Além deste reforço no Médio Oriente, Nuno Melo indicou ainda que autorizou também esta quinta-feira que Portugal integre uma iniciativa da Noruega "para a defesa do Atlântico", que engloba "vários países", entre os quais o Canadá e "os principais países atlânticos europeus".

"E Portugal também lá estará, com aquilo que são as suas capacidades, num esforço que é coletivo", afirmou.

Por último, relativamente aos aliados do leste da Europa, o ministro da Defesa Nacional referiu que Portugal está atualmente presente em "quatro países" e está igualmente a "estudar a possibilidade de reforçar as suas participações, nomeadamente acolhendo um pedido do Governo romeno, a propósito de uma ameaça crescente com 'drones'".

"E Portugal está a estudar a possibilidade de reforçar a sua presença na Roménia com capacidades em todos os domínios", referiu.

Depois de, esta manhã, à entrada para a reunião na NATO, o secretário de Estado da Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, ter indicado que Washington vai rever a presença militar na Europa nos próximos seis meses, Nuno Melo referiu que os americanos "estão a sair, em grande parte, das suas capacidades, relegando para os europeus a obrigação de assegurarem a sua defesa coletiva".

"E Portugal está à altura desse desafio", afirmou.

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