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ONU evita falar sobre possível iniciativa para Estreito de Ormuz e pede discrição

Kaja Kallas falou com António Guterres sobre "como manter aberta" a passagem estratégica para o comércio mundial.

16 de março de 2026 às 20:03

A ONU recusou esta segunda-feira comentar uma possível iniciativa para lidar com a paralisação no Estreito de Ormuz, mas admitiu contactos sobre a situação no Médio Oriente e defendeu discrição sobre o tema.

"Temos acompanhado as especulações nos meios de comunicação social sobre uma eventual iniciativa liderada pela ONU em torno do Estreito de Ormuz. Como se devem recordar, durante a preparação da Iniciativa sobre os Cereais do Mar Negro, o silêncio foi a melhor opção", indicou o porta-voz do secretário-geral da ONU, em comunicado.

O posicionamento das Nações Unidas surgiu após a chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, ter admitido ter conversado nos últimos dias com o líder da ONU, António Guterres, sobre "como manter aberta" esta passagem estratégica para o comércio mundial, nomeadamente para o mercado petrolífero.

"Posso afirmar que o secretário-geral mantém contacto frequente com altos funcionários da região e de outros países", indicou Stéphane Dujarric, na nota informativa.

"Não alimentaremos especulações e continuaremos a trabalhar com discrição. Os riscos são muito elevados", concluiu.

Kallas afirmou esta segunda-feira que conversou com Guterres, entre outros interlocutores, sobre "como manter o Estreito de Ormuz aberto" e sobre se seria possível lançar uma iniciativa semelhante à do Mar Negro para escoar grãos da Ucrânia.

A chefe da diplomacia da UE reconheceu que a retoma dos envios de fertilizantes, alimentos e energia através do Estreito de Ormuz é uma "prioridade urgente".

Estados Unidos e Israel têm em curso desde 28 de fevereiro uma ofensiva militar de grande escala contra o Irão, que causou mais de mil mortos até agora, maioritariamente iranianos.

O Irão respondeu à ofensiva com ataques contra os países da região e o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma via marítima fundamental para escoar o petróleo e o gás natural produzidos na região.

A situação provocou um aumento dos preços do petróleo e de outras matérias-primas.

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