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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Parlamento português condena "tratamento degradante" de ministro israelita a ativistas

Entre os ativistas detidos, encontravam-se os portugueses Nuno Gomes, Joana Rocha e Diogo Chaves.

09 de junho de 2026 às 18:56
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Ministro israelita partilha vídeo de ativistas da flotilha amarrados

איתמר בן גביר/X

O parlamento português aprovou esta terça-feira cinco votos de condenação pela interceção de Israel da flotilha Global Sumud e pelo "tratamento degradante" imposto aos ativistas pelo ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben-Gvir.

Entre os cinco projetos de voto aprovados encontra-se a iniciativa do PS que condena a "detenção por forças navais israelitas, de cidadãos portugueses em águas internacionais" e do Livre, que condena a interceção das embarcações e o tratamento "degradante e humilhante" dos ativistas da Global Sumud pelo ministro da Segurança Nacional israelita, o ultranacionalista Itamar Ben-Gvir.

Entre os ativistas detidos, encontravam-se os portugueses Nuno Gomes, Joana Rocha e Diogo Chaves.

O voto de condenação pelo "tratamento desumano infligido a ativistas detidos por forças israelitas" também do PS foi aprovado com votos a favor de todos os partidos, bem como a iniciativa da Iniciativa Liberal de condenação pelo "tratamento degradante imposto a participantes da flotilha" por Ben-Gvir.

Também foi aprovada a iniciativa do PSD que condena precisamente as ações do ministro israelita.

Após a votação na comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, os textos aprovados serão agora convertidos num texto único.

Foram rejeitados quatro diplomas, um do BE e dois do Livre, que condenavam, respetivamente, a "violação da dignidade humana dos ativistas" por Ben-Gvir, a "detenção e tortura de ativistas pelas forças israelitas" e as "detenções ilegais e violações dos direitos fundamentais de ativistas humanitários por Israel".

Foi ainda rejeitada a iniciativa do PCP que condenava as "detenções ilegais e violações dos direitos fundamentais de ativistas humanitários por Israel".

Em causa estão as ações partilhadas pelo próprio Ben-Gvir em que aparece a humilhar detidos da flotilha humanitária Global Sumud, no mês passado.

O vídeo mostrava dezenas de ativistas da flotilha, detidos em águas internacionais, com as mãos amarradas atrás das costas e com as cabeças no chão.

Como resultado desse vídeo, a França proibiu Ben-Gvir de entrar no seu território, algo que outros países como Reino Unido, Países Baixos, Polónia e Eslovénia já tinham feito antes.

O vídeo provocou uma forte condenação internacional e levou o próprio Presidente israelita, Isaac Herzog, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a criticar estas ações.

Ben-Gvir reside como colono ilegal na Cisjordânia - os colonatos violam o Direito internacional - e, como ministro da Segurança Nacional, é responsável pelo sistema prisional israelita.

Em inúmeras ocasiões defendeu a sua gestão das prisões, baseada no endurecimento das condições dos prisioneiros palestinianos, marcada por tortura, agressão sexual e privação de sono, alimentação, higiene ou medicamentos.

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