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“Pedem-nos democracia, mas impõem sanções ilegais": Embaixador do irão em Lisboa em entrevista ao CM

Diplomata defende que caminho iraniano rumo à democracia não pode ser feito com a aplicação de sanções a Teerão. Diz nada ter escutado do Governo de Montenegro sobre o uso das Lajes e que os iranianos acham que Portugal não é país “inimigo”.

29 de agosto de 2026 às 01:30

Já passaram seis meses desde o início do ataque dos EUA e de Israel contra o Irão. Quem está a ganhar a guerra?

Os Estados Unidos e Israel começaram com aquilo a que chamaram ‘mudança de regime’. Foi um ataque ilegal que matou o nosso corajoso líder, que não se escondeu. Ele estava no seu gabinete com a família. [Os EUA e Israel] nem sequer respeitaram as normas jurídicas, nem o direito da guerra, nem os princípios da necessidade da proporcionalidade. Eles infringiram todas estas regras. E, agora, estamos sob a pressão das sanções ilegais, mas o povo continua a apoiar o nosso sistema, o nosso novo líder já foi nomeado, e tudo está a avançar.

O estreito de Ormuz continua fechado porque o Irão quer. O estreito é a verdadeira arma nuclear de Teerão?

O Irão nunca viola os direitos. Este é o mesmo estreito de Ormuz que existia na época em que os portugueses estavam lá. Há 500 anos, recebiam uma comissão sobre o carregamento. O que os iranianos afirmam é que gostariam de ter direito de passagem. E achamos lamentável que estejam a utilizar ilegalmente esta infraestrutura na nossa região. Estes ataques devem ter como objetivo a paz e a distribuição justa da energia. Queremos ter uma região segura. Precisamos de receber turistas, não terroristas. Precisamos captar empresas ricas em vez da instabilidade.

O regime iraniano está disposto a deixar de apoiar grupos como o Hezbollah e, dessa forma, pacificar a região?

Penso que devemos acompanhar de perto todas as oportunidades potenciais de paz e segurança na nossa região. Criar uma zona livre de armas nucleares. No fundo, uma zona livre de guerra. Penso que os países da região têm maturidade suficiente para resolver os problemas com base no artigo 52.º da Carta das Nações Unidas, dando prioridade a uma solução regional. Acho, por isso, que a questão não é este ou aquele grupo.

O Irão tem problemas de contestação interna. O seu país está preparado para dar passos mais consolidados rumo à democracia?

Estamos a agir e a pôr a democracia em prática. Vamos por este caminho e o ambiente já está a evoluir na direção certa. Mas o que é importante é que aqueles que defendem a democracia para o nosso país são precisamente aqueles que estão a impor sanções ilegais contra o Irão. E quando uma sanção é ilegal e se exerce pressão, não sobre uma parte de uma comunidade, mas sobre toda a comunidade e ao mesmo tempo se fala de democracia, isso é totalmente inaceitável. Então, temos de ser honestos uns com os outros. Este país encontra-se sob forte pressão. Se a mesma situação acontecesse em Portugal, como é que o vosso sistema - ou em qualquer parte do Mundo - poderia funcionar?

Portugal é inimigo do Irão por ter permitido que as forças norte-americanas utilizassem a base das Lajes, nos Açores?

Esta é uma questão muito pertinente e séria, que deverá ser abordada, no futuro, por especialistas na área jurídica e também por militares, porque o que aconteceu não deve ser ignorado. O Governo iraniano solicitou uma resposta [ao Governo português], no entanto, até ao momento, não recebi qualquer resposta. Mas é importante perceber o que aconteceu. Mas, para nós, a essência de Portugal residia no facto de ser um bom país. Na Europa, apoiámo-nos mutuamente para integrarmos o Conselho de Segurança [das Nações Unidas]. Mas, no fundo, os iranianos não veem Portugal como um país inimigo.

Porque razão o líder supremo Mojtaba Khamenei não aparece em público?

A pergunta já está respondida, porque o Irão ainda está a enfrentar a guerra. E os nossos inimigos demonstraram que o seu principal poder reside nas atividades terroristas. Podem aterrorizar tudo e todos. Claro que não se trata de um privilégio militar. É um lado desagradável das guerras, mas, seja como for, a realidade é que estão a matar este e aquele. Sem dúvida que o nosso líder irá aparecer. Ele não se está a esconder. Ele está a trabalhar, a nomear isto, a nomear aquilo. É isto que está a acontecer.

Mas pode garantir que ele está de boa saúde?

Isto já foi respondido. O nosso Presidente [Masoud Pezeshkian] disse, há duas semanas, que o tinha conhecido. O Irão não é um regime, não é um sistema. Os regimes são de natureza ditatorial, certo? Quando se mata um ditador, deixa de haver regime.

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