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Portugal pode captar 500 milhões de euros do turismo alemão perante instabilidade no Médio Oriente

Com alterações na mobilidade turística mundial, Portugal surge como um destino competitivo, beneficiando da perceção de segurança.

06 de abril de 2026 às 13:35

A crescente instabilidade no Médio Oriente poderá abrir uma oportunidade para Portugal captar cerca de 500 milhões de euros em receitas turísticas provenientes do mercado alemão, revelou uma análise do IPDT -- Tourism Intelligence.

De acordo com a informação disponibilizada esta segunda-feira, o turismo global está a entrar numa nova fase em que a segurança assume um papel central na decisão de viagem, deixando de ser um pressuposto para se tornar um critério determinante.

A instabilidade no Médio Oriente, considerado um importante centro de conectividade intercontinental, está a provocar alterações estruturais na mobilidade turística mundial, com impactos nos custos operacionais, nas rotas aéreas e nos padrões de procura.

Neste contexto, Portugal surge como um destino competitivo, beneficiando da perceção de segurança.

O IPDT destacou o mercado alemão como particularmente relevante, referindo que, em 2024, cerca de três milhões de turistas alemães escolheram países do Médio Oriente para estadas superiores a cinco noites, com o Egito a concentrar a maior proporção.

Segundo as projeções, se Portugal conseguir captar 15% deste fluxo, poderá registar um aumento de cerca de 300 mil hóspedes, o que se traduziria em mais 2,4 milhões de dormidas e numa receita adicional estimada em 500 milhões de euros.

"O futuro do turismo português dependerá da nossa capacidade de antecipação e não apenas de reação", referiu o presidente do IPDT, Jorge Costa, citado na análise, acrescentando que "num contexto onde viajar implica, cada vez mais, avaliar o risco, os destinos que se destacarão não serão apenas os mais desejados, mas os mais confiáveis".

A análise indicou ainda que as viagens de longo curso deverão ser condicionadas sobretudo pelo aumento dos custos e da complexidade das deslocações, mais do que por questões de segurança, mesmo com a retoma do mercado asiático após a pandemia.

Além disso, prevê-se um reforço do turismo de proximidade, com países como Espanha e França a valorizarem Portugal como um destino seguro e com uma relação qualidade-preço competitiva.

O IPDT sublinhou, contudo, que a concretização deste potencial depende de fatores críticos, nomeadamente o reforço da conectividade aérea, a gestão eficiente de 'slots' e a valorização do aeroporto do Porto como 'hub' estratégico.

Defende também da necessidade de reduzir a pressão turística em Lisboa e no Algarve, promovendo outras regiões do país, como o interior e o Centro.

A entidade alertou que o principal risco não é a falta de procura, mas a capacidade de a gerir de forma equilibrada, evitando a sobrecarga das infraestruturas e a pressão sobre recursos naturais, como a água e a energia.

Segundo o IPDT, o sucesso de Portugal passará por políticas que incentivem a desconcentração da procura e a captação de segmentos de maior valor, consolidando o país como um destino seguro num contexto internacional marcado pela incerteza.

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