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Síria pode ser alternativa ao estreito de Ormuz para petróleo iraquiano

Iraque e a Síria voltaram também a discutir a recuperação do oleoduto que os liga, encerrado há várias décadas.

07 de julho de 2026 às 14:39

O presidente executivo (CEO) da energética francesa TotalEnergies considerou, esta terça-feira, que a Síria pode tornar-se um importante país de trânsito para o petróleo do Iraque com destino ao Mediterrâneo, oferecendo uma alternativa ao estreito de Ormuz.

"Hoje, é evidente que a situação de segurança ainda não permite trabalhar, mas considero que é uma bela iniciativa vir até aqui, a Damasco", afirmou Patrick Pouyanné aos jornalistas, à margem da visita do Presidente francês, Emmanuel Macron, à Síria.

Segundo o responsável, a Síria "encontra-se numa encruzilhada no Médio Oriente", ainda que possa ganhar relevância estratégica após os constrangimentos registados no estreito de Ormuz durante o conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão.

"O que acabou de acontecer com o estreito de Ormuz mostra claramente que, se quisermos investir no Médio Oriente, teremos de encontrar rotas alternativas", sustentou.

No início de abril, o Iraque anunciou que tinha começado a transportar petróleo por camião através da Síria para reexportação, devido ao encerramento do estreito de Ormuz.

Além disso, o Iraque e a Síria voltaram também a discutir a recuperação do oleoduto que os liga, encerrado há várias décadas.

Pouyanné adiantou que a TotalEnergies assinou um memorando de entendimento com as autoridades sírias para um bloco de exploração 'offshore' no Mediterrâneo, mas esclareceu que o grupo ainda não dispõe de outros projetos concretos no país.

A deslocação do responsável a Damasco, a primeira desde o fim da guerra civil, em 2024, destina-se a reunir com as autoridades sírias e a restabelecer contactos.

"Deixemos ao Governo tempo para assumir o controlo deste país. Não se deve exigir demasiado. Depois de mais de 13 anos de guerra civil, é preciso ter um pouco de paciência", afirmou.

No fim de semana, Patrick Pouyanné estimou que o mercado petrolífero poderá demorar ainda "três ou quatro meses" a estabilizar, apesar da reabertura parcial do estreito de Ormuz, devido aos desequilíbrios provocados pelo conflito com o Irão.

O responsável participava nos encontros económicos de Aix-en-Provence, no sudeste de França, quando explicou que os países produtores do Golfo Pérsico acumularam grandes reservas de crude que não conseguiram exportar devido ao encerramento do estreito de Ormuz durante a guerra e que, agora, procuram navio-petroleiros para o colocar no mercado.

O problema é que alguns armadores ainda não estão dispostos a deixar os seus navios atravessar o estreito devido à tensão que persiste na região, disse o responsável pela petrolífera francesa.

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