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Teerão adverte Estados Unidos de que "a era dos acordos unilaterais chegou ao fim"

Estados Unidos lançaram no sábado (hora de Washington, domingo no Irão) uma nova ronda de ataques contra o país persa. Teerão respondeu lançando mísseis e drones contra bases norte-americanas no Médio Oriente.

12 de julho de 2026 às 07:03

O presidente do Parlamento e negociador-chefe do Irão, Mohamad Baqer Qalibaf, advertiu este domingo os Estados Unidos de que "a era dos acordos unilaterais chegou ao fim", na sequência do recrudescimento de ataques recíprocos durante a noite.

"A era dos acordos unilaterais chegou ao fim. Já vos tínhamos dito: cumpram a vossa palavra ou paguem o preço. A realidade está a bater à porta", escreveu Qalibaf numa publicação na rede social X, acompanhada de uma imagem com o texto de um ponto do memorando de entendimento acordado entre Washington e Teerão no passado dia 17 de junho, que alude à reabertura do Estreito de Ormuz, com uma frase sublinhada: "a República Islâmica do Irão tomará as medidas necessárias".

Os dois países assinaram nesse dia um memorando de entendimento para pôr fim à guerra, desbloquear o Estreito de Ormuz e iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano, mas o Presidente norte-americano, Donald Trump, considerou recentemente rescindido o acordo, na sequência do reinício dos bombardeamentos no Médio Oriente.

Os Estados Unidos lançaram no sábado (hora de Washington, domingo no Irão) uma nova ronda de ataques contra o país persa, que entretanto consideraram concluída, depois de, segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), o Irão ter bombardeado um navio porta-contentores com bandeira cipriota que transitava pelo Estreito de Ormuz, um dos principais pontos críticos do conflito.

O comando militar afirmou num comunicado que as forças norte-americanas atacaram aproximadamente 140 alvos militares iranianos --- entre os quais instalações de mísseis e drones, meios navais, depósitos de munições, redes de comunicações e postos de vigilância costeira --- com munições de precisão lançadas a partir de aviões de combate, drones e navios de guerra.

Durante a madrugada no Irão, os meios de comunicação do país persa noticiaram várias explosões na província de Bushehr, onde se encontra uma central nuclear, e em diversas localidades próximas do Estreito de Ormuz, sem que tenham sido divulgadas, até ao momento, informações sobre danos ou vítimas.

Teerão, por seu lado, respondeu lançando mísseis e drones contra vários países do Médio Oriente que albergam bases norte-americanas, como a Jordânia, Koweit, Qatar e Bahrein.

A Guarda da Revolução Islâmica iraniana afirmou num comunicado que lançou ofensivas em resposta a um "ataque aéreo" dos EUA "contra várias bases costeiras e antenas de telecomunicações na costa sul" do Irão.

A Guarda da Revolução anunciou logo ao início da madrugada o encerramento "até nova ordem" do Estreito de Ormuz, esclarecendo que disparou tiros de advertência contra o porta-contentores cipriota porque o navio navegava por uma "rota não autorizada".

"Na sequência deste incidente e tendo em conta, nomeadamente, a insegurança gerada pela intervenção ilegal de forças estrangeiras, o Estreito de Ormuz será encerrado até nova ordem e até ao fim das intervenções norte-americanas nesta região. Nenhum navio será autorizado a atravessá-lo", refere um comunicado divulgado pela Guarda da Revolução Islâmica iraniana.

Horas mais tarde, a Guarda da Revolução anunciou que atacou "uma segunda embarcação infratora" que transitava pelo Estreito de Ormuz, já depois da onda de ataques dos Estados Unidos contra o país persa ter sido dada por concluída.

O Estreito de Ormuz é uma das mais importantes rotas marítimas do mundo para o transporte de petróleo e gás natural, ligando o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao oceano Índico, por onde, em tempos de paz, transitava um quinto dos hidrocarbonetos consumidos em todo o mundo, especialmente na Ásia.

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