Complexo de South Pars possui a maior reserva de gás natural do mundo, partilhado pelo Irão e Qatar, e constitui o pilar do setor energético iraniano.
O Irão assegurou que a situação está sob controlo no complexo petroquímico South Pars, que alberga as maiores reservas de gás natural do mundo, bombardeado por Israel e pelos Estados Unidos esta segunda-feira, sem causar vítimas mortais.
"A situação está atualmente sob controlo e estão a ser avaliados os aspetos técnicos e a extensão dos danos. Felizmente, não foram registadas vítimas", afirmou a Companhia Nacional de Indústrias Petroquímicas do Irão, segundo informou a agência iraniana Tasnim.
A empresa indicou que vários pontos auxiliares das instalações localizadas na Zona Económica Especial de Energia de Pars, na cidade de Asaluyeh, foram atingidos, no que classificou como uma continuação dos ataques contra infraestruturas industriais.
Após os bombardeamentos, equipas de segurança, bombeiros e unidades de emergência deslocaram-se imediatamente para o local, onde conseguiram controlar o incêndio e ativar os protocolos de gestão de crises.
O vice-governador responsável pela política e segurança da província de Bushehr, onde se situa Asaluyeh, Ehsan Jahaniyan, confirmou que as instalações de duas fábricas petroquímicas na região de Pars foram atingidas pelos bombardeamentos.
O complexo de South Pars possui a maior reserva de gás natural do mundo, partilhado pelo Irão e Qatar, e constitui o pilar do setor energético iraniano, representando aproximadamente 70% da produção total de gás do país persa.
O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, afirmou esta segunda-feira numa mensagem de vídeo publicada pelo seu gabinete que caças israelitas tinham atacado o maior complexo petroquímico do Irão, deixando inoperáveis as instalações.
Israel "acabou de realizar um poderoso ataque contra as maiores instalações petroquímicas do Irão, localizadas em Asaluyeh, responsável por cerca de 50% da produção petroquímica do país", avançou Katz.
Juntamente com o ataque anterior a outra parte do mesmo complexo, cerca de 85% das exportações petroquímicas do país persa "foram desativadas", disse Katz, acrescentando que "isto representa um duro golpe económico para o regime iraniano, com perdas na ordem das dezenas de milhares de milhões de dólares".
A agência iraniana Fars adiantou que os ataques atingiram especificamente as empresas Mobin e Damavand, que fornecem eletricidade, água e oxigénio às fábricas petroquímicas da região.
Em resultado, o fornecimento de energia a todas as fábricas petroquímicas em Asaluyeh permanecerá interrompido até que as infraestruturas das empresas sejam reparadas, acrescentou a agência de notícias ligada à Guarda Revolucionária iraniana, garantindo, no entanto, que South Pars continua operacional.
Na sua mensagem, Katz sublinhou que tanto ele como o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ordenaram a continuação dos ataques contra as infraestruturas do regime iraniano.
O ministro israelita avisou ainda que quaisquer ações contra Israel "agravarão os danos económicos e estratégicos" do Irão, levando "ao colapso das suas capacidades".
No sábado, foram também atacadas várias empresas petroquímicas na cidade de Mahshahr, no sudoeste do país, um dos principais centros industriais do Irão, ao que o regime de Teerão respondeu posteriormente com o lançamento de mísseis e drones contra indústrias israelitas e alvos ligados aos Estados Unidos em países do Médio Oriente.
A guerra, que começou a 28 de fevereiro com um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e se alastrou, entretanto, a vários países da região do Médio Oriente, não mostra sinais de abrandamento.
Teerão respondeu com ataques contra interesses norte-americanos e israelitas nos países do Golfo Pérsico, além de bloquear o Estreito de Ormuz, o que fez disparar os preços do petróleo.
Segundo a organização não-governamental e agência de notícias da oposição iraniana com sede nos Estados Unidos Human Rights Activists News Agency (HRANA), já foram registados mais de 3.400 mortos no Irão, entre os quais mais de 1.616 civis, incluindo, pelo menos, 244 crianças.
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