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Trump anuncia "guerra económica" inédita contra o Irão

Presidente fala em "operação económica mais devastadora alguma vez empreendida contra qualquer país".

20 de agosto de 2026 às 19:23

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou esta quarta-feira uma nova ofensiva económica contra o Irão, classificando-a como a "operação económica mais devastadora alguma vez empreendida contra qualquer país".

Na sua rede Truth Social, Trump avisou que qualquer país que permita às suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais proporcionar "qualquer tipo de tábua de salvação" ao Irão enfrentará, por sua vez, consequências económicas.

O líder norte-americano precisou que a medida contempla cortar as vias utilizadas para evitar as sanções e manter os fluxos financeiros para o Irão, entre as quais o contrabando de petróleo, as linhas de câmbio de divisas, as transferências de dinheiro vivo, as casas de câmbio, os registos de navios e as empresas-fantasma.

Irão considera que pressão dos EUA é um ato de “terrorismo económico”

O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano considerou esta quinta-feira que as sanções e a “guerra económica” anunciadas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, contra o Irão constituíam um caso de “terrorismo económico” e de “crimes contra a humanidade”.

“Não há dúvida de que as sanções económicas norte-americanas contra o Irão, que violam os direitos fundamentais de todos os cidadãos iranianos, constituem um caso de terrorismo económico e de crimes contra a humanidade”, declarou a diplomacia de Teerão num comunicado, divulgado pela agência iraniana IRNA.

“Os seus autores e instigadores merecem ser julgados e punidos por terem cometido tais crimes hediondos”, prosseguiu a nota.

Segundo o ministério, com base na "experiência de sete décadas de resistência abrangente contra as políticas dos Estados Unidos (EUA) de pressão, intervenção, agressão militar e terrorismo de Estado contra o Irão, a República Islâmica do Irão recorrerá a todos os meios e capacidades para repelir a agressão do inimigo israelo-americano e salvaguardar os interesses nacionais do Irão".

"Qualquer governo que acredite nos princípios e objetivos da Carta das Nações Unidas, incluindo o princípio do respeito pela soberania nacional dos países, não pode permanecer indiferente à persistência da flagrante desrespeito pela lei e da beligerância dos Estados Unidos em relação às normas internacionais fundamentais", acrescentou o comunicado.

Esta reação do Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Islâmica à guerra económica anunciada por Trump surge após o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, ter avisado que os aliados que não apoiem a ofensiva económica contra o Irão estarão contra Washington.

"Isto vai funcionar no Irão e vamos derrubar este regime", disse Scott Bessent, em entrevista à estação norte-americana CNBC, na qual se referiu à “maior operação coordenada de isolamento económico do mundo", reforçando palavras no mesmo sentido de Trump, que na véspera anunciou “um dia D” contra a economia iraniana.

Bessent apelou também à China para que "se alinhe" caso deseje "ver o estreito [de Ormuz] reaberto e os preços da energia a baixarem".

Mais de um quarto do comércio do Irão em 2024 foi realizado com a China, um grande consumidor de hidrocarbonetos iranianos.

Antes das declarações de Scott Bessent, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, já tinha criticado o plano anunciado por Washington, classificando-o como uma continuação de "políticas destinadas ao fracasso".

"O chamado 'Dia D económico' visa desviar a atenção da crise que os Estados Unidos enfrentam: dívida sem precedentes e custos de empréstimo crescentes”, afirmou Araghchi.

Para o ministro, “a continuidade dessas políticas [dos EUA] destinadas ao fracasso só levará a uma derrota ainda maior e à hostilidade dos iranianos".

Na quarta-feira, na sua rede social, a Truth Social, Donald Trump anunciou “a operação económica mais devastadora já realizada contra um país”, referindo-se a uma “guerra económica sem precedentes”, sem fornecer detalhes sobre as medidas em causa.

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