Na reunião do Conselho Europeu de quinta e sexta-feira serão debatidas medidas a adotar para aliviar os preços da energia.
A presidente da Comissão Europeia admitiu esta segunda-feira que restrições prolongadas no fornecimento de petróleo e gás do Médio Oriente à União Europeia (UE) podem ter um "impacto significativo na economia europeia", embora afastando problemas no abastecimento.
Numa carta dirigida aos líderes da UE antes da reunião do Conselho Europeu de quinta e sexta-feira que será dedicada ao tema da competitividade e na qual serão debatidas medidas a adotar para aliviar os elevados preços da energia, Ursula von der Leyen alertou que "uma interrupção prolongada do fornecimento de petróleo e gás proveniente da região do Golfo poderia ter um impacto significativo na economia europeia", dado o conflito iniciado por Israel e Estados Unidos contra o Irão e consequente resposta iraniana.
"Atualmente, a segurança física do abastecimento energético da UE está assegurada. No entanto, o aumento dos preços dos combustíveis fósseis já está a pesar sobre a nossa economia e, desde o início do conflito, a Europa já gastou mais seis mil milhões de euros em importações de combustíveis fósseis, um lembrete direto do preço que pagamos pela nossa dependência", apontou a responsável.
Falando em impactos “cada vez mais visíveis” em áreas como economia, finanças, transportes e cadeias de abastecimento, a líder do executivo comunitário vincou que, “se o conflito se prolongar, as consequências podem aumentar e a resposta europeia terá de ser proporcional à gravidade das ameaças”.
Quando se registam elevados preços na energia da UE, Ursula von der Leyen propõe, na missiva enviada aos líderes europeus, várias medidas urgentes para mitigar os impactos da crise energética como a libertação da maior quantidade de reservas estratégicas de petróleo coordenada pela Agência Internacional de Energia para compensar possíveis interrupções no transporte pelo Estreito de Ormuz e a coordenação para restaurar a navegação na região, incluindo a possibilidade de escolta de navios quando as condições de segurança o permitirem.
A responsável sugere, também, o incentivo ao aumento da produção de energia em países capazes de substituir fornecimentos interrompidos, o apelo para evitar restrições às exportações e a monitorização próxima dos impactos no mercado de fertilizantes, considerados essenciais para os agricultores e para a segurança alimentar global.
A longo prazo, Ursula von der Leyen quer a UE a adotar outras medidas para reduzir os preços da energia como acelerar o investimento em energias renováveis para diminuir a dependência do gás, promover contratos de longo prazo de eletricidade para dar maior estabilidade de preços às empresas, evitar o encerramento prematuro de infraestruturas energéticas de baixo carbono como centrais nucleares e permitir apoios estatais e compensações de custos de carbono às indústrias intensivas em energia.
Acrescem outras iniciativas como melhorar e expandir as redes elétricas para integrar mais energia renovável, reduzir impostos e encargos sobre a eletricidade e ajustar o sistema europeu de comércio de emissões para limitar a volatilidade dos preços e apoiar a descarbonização industrial.
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão e, em resposta, Teerão encerrou o estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Como consequência, o tráfego de petroleiros no estreito caiu drasticamente e muitas empresas suspenderam operações, enquanto alguns países do Golfo reduziram a produção ou enfrentam dificuldades para exportar petróleo.
Verificaram-se, também, ataques e riscos de segurança que afetam portos, refinarias e instalações de gás na região, tendo a instabilidade relacionada com a oferta já levado já a uma subida dos preços globais do petróleo para mais de 100 dólares por barril.
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