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Conferência da ONU sobre mudanças climáticas decorre até dia 21 em Belém, no Brasil. Lula da Silva será o anfitrião de um evento cujo tema não tem estado nas prioridades da grande maioria dos países.
A COP30 arranca esta quinta-feira com a realização da Cimeira de Líderes (hoje e sexta-feira), um encontro preparatório da conferência que tem início segunda-feira (e até 21) na cidade de Belém, no Brasil, sobre alterações climáticas. São esperados centenas de representantes de todo o mundo, entre presidentes, primeiros-ministros, representantes da realeza e outras individualidades.
Os grandes ausentes serão Donald Trump, presidente dos EUA, Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia) e Javier Milei (Argentina). De acordo com as agências internacionais, o governo americano não se fará representar no evento por altos representantes, mas sim por uma delegação. Já pela China, o país maior emissor de gases de todo o mundo, estará presente o vice-primeiro-ministro Ding Xuexiang e uma delegação de técnicos.
Portugal estará representado pelo primeiro-ministro Luís Montenegro e Maria Graça Carvalho, ministra do Ambiente. Entre os mais de 100 representantes já confirmados estão, entre outros, o presidente francês Emmanuel Macron, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, e o PM espanhol Pedro Sánchez. António Guterres, Secretário Geral da ONU, António Costa, presidente do Conselho Europeu e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, também marcam presença.
Apesar da importância do tema e da crescente urgência, a questão ambiental não tem estado no topo das preocupações dos grandes líderes mundiais nos últimos anos, algo que se tem manifestado a nível do financiamento e dos próprios esforços dos países em adotar medidas. Informações recentes disponibilizadas pela ONU revelam que as novas metas de cortes de emissões propostas são insuficientes - o principal objetivo delineado há dez anos, limitar a subida da temperatura até ao final do séc. XXI a um máximo de 2ºC, preferencialmente 1,5ºC, está hoje em risco de ser falhado, e 2024 foi mesmo o ano mais quente desde que há registo, com uma temperatura média 1,6ºC acima dos níveis pré-industriais.
Esta conferência, que terá como anfitrião Lula da Silva, presidente do Brasil, será ainda ofuscada pelo atual contexto internacional, como a ofensiva da Rússia na Ucrânia e a guerra comercial aberta por Donald Trump com a aplicação de tarifas, que cria um cenário económico incerto e pode motivar vários países a recuar no aumento do financiamento para as causas ambientais. Outro fator negativo está relacionado com o negacionsimo de Trump em tudo o que diz respeito a questões ambientais, uma política que nos últimos tempos está a ser seguida pelo presidente argentino Javier Milei.
Mesmo perante este cenário, os objetivos do Brasil para a COP30 estarão centrados na transição energética justa, bioeconomia baseada na floresta em pé e na proteção das populações vulneráveis aos impactos climáticos.
"O Brasil quer mostrar que é possível crescer e, ao mesmo tempo, reduzir emissões. Que é possível gerar emprego e renda com base na economia verde, no uso sustentável da biodiversidade e nas energias limpas", frisou a ministra do Ambiente do Brasil, Marina Silva.
A reconhecida líder ambiental frisou ainda que "o foco será transformar compromissos em ações".
"Avançar na transição energética, consolidar a agenda de descarbonização, apoiar a adaptação climática dos países mais pobres e criar um mecanismo de financiamento efetivo para essas transições", disse.
Marina Silva afirmou também querer mostrar aos líderes e às delegações que existe o risco da Amazónia "chegar ao ponto de não retorno".
"Nós temos consciência de que o tempo está a esgotar-se. A ciência mostra que a Amazónia pode sim entrar em ponto de não retorno, que é o colapso geral para todos nós. Não só da Amazónia, mas do planeta", frisou Marina Silva.
Já Lula da Silva pretende que desta conferência saiam medidas concretas: “Não queremos que a COP continue a ser uma exposição, ou uma feira de produtos ideológicos sobre o clima, em que cada um vê só o que quer, como quer, e ninguém é obrigado a fazer nada, nem fazer com que as coisas aconteçam”.
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