Reino Unido vai infetar voluntários com Covid-19 para testar vacina
Novos ensaios clínicos são chamados de "desafios humanos" e começam em janeiro.
O Reino Unido está a planear novos ensaios clínicos onde voluntários são deliberadamente infetados com a Covid-19 para testarem a eficácia de candidatas à vacina contra o novo coronavírus.
De acordo com o Financial Times, que cita pessoas envolvidas no projeto, os "testes de desafio" - como são chamados - deverão começar em janeiro num centro de quarentena em Londres com cerca de dois mil participantes que se inscreveram através de uma organização norte-americana de advocacia, a 1Day Sooner.
O grupo, que já juntou mais de 37 mil voluntários de todo o mundo, foi co-fundado por uma jovem de 22 anos que escreveu uma carta aberta ao diretor do Instituto Nacional de Saúde dos EUA em julho. A mesma foi assinada por 15 vencedores do prémio Nobel e várias figuras da ciência, e pedia ao governo norte-americano que "iniciasse imediatamente preparações para testes humanos de desafio" em jovens saudáveis, com menos probabilidade de desenvolverem sintomas graves da Covid-19.
O mesmo Financial Times avança que o governo britânico irá financiar a pesquisa e lançar uma angariação de fundos pública para o financiamento de instalações que consigam colocar 100 a 200 participantes do estudo em quarentena.
Para serem realizados, os ensaios têm de ser autorizados pela Agência Reguladora de Medicamentos e produtos de Saúde britânica (MHRA), que terá em conta as condições de segurança da investigação. O governo britânico não confirmou os relatos do
, a 1Day Sooner deu os parabéns ao executivo de Boris Johnson pelo início de testes às vacinas em humanos deliberadamente infetados com o vírus.
O Imperial College London, universidade pública britânica de pesquisa científica, não confirmou os estudos, referindo apenas à
que continua em "discussões exploratórias" para a investigação da Covid-19 com vários parceiros. A farmacêutica francesa Sanofi já disse não estar envolvida no projeto.
Uma experiência arriscada
Estes "desafios humanos" para testar vacinas não são novidade. Outras doenças, como a cólera ou a malária, já o fizeram. A diferença é que, nesses casos, já eram conhecidos tratamentos e medicamentos que ajudavam a "salvar" participantes nesse estudo caso a vacina não resultasse e estes ficassem em situação crítica.
Em junho, num relatório sobre a Covid-19, a Organização Mundial da Saúde (OMS) mostrou-se dividida sobre se uma investigação como esta deveria acontecer na ausência de um tratamento ao novo coronavírus devidamente certificado. O mesmo levanta ainda questões éticas e humanas, uma vez que testes atuais às vacinas já integram faixas etárias que vão ser infetadas com o vírus para testar o mesmo efeito.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt