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Pandora O poder não se mostra. Usa-se.

Jovens católicos raptados pelo Daesh em Moçambique

Igreja de São Luis foi queimada e reduzida a escombros. Cabo Delgado está a ferro e fogo.

07 de maio de 2026 às 21:09

Permanece a angústia na comunidade católica de Meza. Uma semana depois do ataque do Estado Islâmico que reduziu a escombros a igreja de São Luis de Monfort, nada se sabe sobre os 22 jovens católicos raptados. 

O Padre Eduardo Roca, pároco em Mahate, e que lidera o Centro Inter-Religioso para a Paz, na Diocese de Pemba, confirma, à Fundação AIS, que os terroristas levaram os jovens e que “ninguém chegou para o impedir”.

Também o Padre Eduardo Paixão, director da Rádio Sem Fronteiras, a emissora diocesana de Pemba, confirma o rapto e diz que “não há notícias sobre eles”.

O norte de Moçambique está a ferro e fogo. Esta quinta-feira novos ataques foram realizados pelos terroristas.

No distrito de Ancuabe, elementos o grupo extremista do Estado Islâmico reivindicaram novos ataques, incluindo a destruição de uma igreja, lojas de "cristãos" e de mais de 200 casas.

Na reivindicação, feita nas últimas horas através dos canais de propaganda do Estado Islâmico, é referido que elementos daquele grupo "entraram em confronto" em Ancuabe, alegando terem atacado um "quartel" na aldeia de Nacoja.

"Expulsaram os combatentes da aldeia, incendiaram uma igreja e cerca de 220 casas, além de várias lojas pertencentes aos cristãos", lê-se.

Numa outra reivindicação, afirmam que elementos do grupo extremista, que atua em Cabo Delgado há mais de oito anos, "entraram em confronto com uma patrulha marítima" das Forças de Defesa e Segurança moçambicanas, perto da praia de Quiterajo, distrito de Macomia, "usando várias armas".

Um grupo atacou na terça-feira a aldeia de Nacoja, o segundo em poucos dias no distrito de Ancuabe, disseram anteriormente à agência Lusa fontes da comunidade local.

O ataque aconteceu a nove quilómetros de uma empresa de exploração mineira, o que obrigou à retirada de emergência do pessoal. O ataque a Nacoja deu-se cinco dias após incursões dos rebeldes na aldeia de Minheuene, em Mazeze, onde destruíram a missão de São Luís de Monfort - construída em 1946 e símbolo da presença católica na região -, bem como dezenas de residências, raptando pelo menos 22 pessoas.

A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) estima que a província moçambicana de Cabo Delgado tenha registado 11 eventos violentos nas duas últimas semanas, 10 dos quais envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que fizeram nove mortos, elevando para 6 527 os óbitos desde 2017.

De acordo com o mais recente relatório da ACLED, com dados de 6 a 19 de abril, dos 2356 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2184 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

O bispo de Pemba, em Moçambique, disse a 2 de maio que um grupo de extremistas destruiu completamente a histórica paróquia de São Luís de Monfort e raptou civis, na passada quinta-feira, em Ancuabe.

"Depois de queimarem algumas casas, maioritariamente dos cristãos católicos e outros também cristãos não católicos, depois de vandalizarem o hospital [...], foram direto às infraestruturas que estão na paróquia de São Luís de Monfort de Minhoene e ali destruíram tudo.

Queimaram a escola que está aí, queimaram a paróquia, a casa dos padres, a secretaria paroquial, a escolinha foi totalmente vandalizada", descreveu António Juliasse, a partir de Cabo Delgado.

O ataque dos supostos rebeldes ocorreu na aldeia de Meza, no distrito de Ancuabe, por volta das 16h00, com os grupos a ocuparem a região até às 20h00 do mesmo dia, avançou o bispo, referindo que houve profanação dos lugares e dos objetos sagrados, numa "violência horrível" e que "provoca muita dor". "[A paróquia] está completamente destruída. Eles queimaram tudo. Foi mesmo para destruir. É uma forma bárbara de fazer as coisas", disse.

António Juliasse acrescentou que pelo menos 300 católicos foram mortos, maioritariamente por decapitação, e mais de 117 unidades da igreja destruídas, desde o início do conflito armado em 2017.

"Basta eles entrarem numa aldeia. Sabemos que a infraestrutura da igreja não fica impune, não fica sem ser destruída [...]. Nós temos em Mocímboa da Praia tudo destruído, temos em Nangololo tudo destruído, que são as grandes e antigas igrejas históricas, estão destruídas.

Agora destruíram esta igreja também histórica, esta missão histórica, e várias pequenas igrejas e capelas das comunidades cristãs", concluiu o bispo.  

Horrorizada com a destruição a comunidade islâmica de Moçambique a publicou um comunicado em que denuncia a tentativa de instrumentalização do Islão “para fins de violência e terror”.

D. Juliasse considera que esse comunicado “é sinal de esperança”.

Toda esta incerteza vem acrescentar ainda mais dor e sofrimento à população local que viu a sua igreja e as infraestruturas construídas em Meza serem destruídas sem piedade pelos terroristas. Nem a escola primária, ali conhecida como “escolinha”, foi poupada.

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