André Pestana defende que acordo com Mercosul causa concorrência desleal
Candidato presidencial reforçou a responsabilidade de "pensar globalmente e agir localmente".
O candidato presidencial André Pestana defendeu esta terça-feira que o acordo que será assinado no sábado entre a União Europeia e o Mercosul provoca concorrência desleal e apontou dificuldades para agricultores europeus, incluindo os portugueses.
"Há uma chamada concorrência desleal. Na América do Sul, e isso não tem nada contra os povos da América do Sul, mas as condições de trabalho são muito inferiores, ainda mais inferiores que aqui, e obviamente que isso vai criar e vai tornar que a produção aqui, por exemplo, agrícola da Europa e também de Portugal, vai obviamente dificultar", afirmou.
O candidato reforçou que deve prevalecer "a defesa dos nossos agricultores, porque senão eles não conseguem escoar produtos ou competir com produtos" que podem ter origem em trabalho escravo.
"Já se encontrou trabalho escravo em Portugal, e sabemos disso, mas noutras zonas do planeta isso há em outras dimensões", afirmou.
O sindicalista e um dos fundadores do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (S.T.O.P.) falava esta manhã aos jornalistas, em frente à Escola Secundária José Falcão, em Coimbra, numa ação de campanha sobre a escola pública.
"Eu choco-me a ver no hipermercado que, por exemplo, kiwis ou peras que vem da África do Sul ou da Argentina, e eu não tenho nada, obviamente, contra esses países, mas é 'nonsense', quando nós temos condições em Portugal, perfeitamente, para produzir kiwi, para produzir pera, ou seja, porque estamos aqui a gastar, a poluir e isso aumenta a nossa pegada ecológica", disse Pestana.
Como professor de biologia, reforçou a responsabilidade de "pensar globalmente e agir localmente".
O acordo comercial celebrado pela União Europeia com os países do Mercosul será assinado no Paraguai, no sábado, após mais de 25 anos de negociações.
A iniciativa vai criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores, e permitirá aos europeus exportar mais veículos, maquinaria, vinhos e bebidas espirituosas para a América do Sul.
No sentido oposto, facilitará a entrada na Europa de carne, açúcar, arroz, mel e soja.
O tratado suscitou manifestações em vários países europeus, de pessoas contrárias à sua concretização.
As eleições presidenciais estão marcadas para domingo às quais concorrem 11 candidatos.
Os candidatos são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.
Esta é a 11.ª eleição em democracia, desde 1976, para o Presidente da República.
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