De camuflado militar, Ventura diz que a partir de domingo "haverá ordem". Gouveia e Melo acusa Ventura de indignidade

Almirante afirmou-se "profundamente chocado". Ventura prometeu "endireitar" Portugal.

15 de janeiro de 2026 às 22:09
André Ventura, candidato presidencial, promete ordem no país Foto: Tiago Petinga/Lusa-EPA
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O candidato presidencial apoiado pelo Chega afirmou esta quinta-feira, vestido de camuflado, que o país "terá ordem" a partir de domingo e respondeu a quem considera que votar em si é "inútil", como afirmou o almirante Gouveia e Melo.

"Inútil é votar em candidatos que dizem exatamente o mesmo há 50 anos. Inútil é votar em candidatos que não conseguem senão dizer generalidades ou votar em candidatos que vão andar com Luís Montenegro ao colo", defendeu André Ventura, num discurso durante um comício de campanha para as eleições presidenciais, em Ponte de Lima, distrito de Viana do Castelo.

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O também presidente do Chega falava perante cerca de 300 apoiantes num almoço -- no qual também assinalou o seu aniversário e se cantaram os parabéns -- vestido com um casaco com padrão camuflado militar, que lhe foi oferecido por um grupo de antigos combatentes presentes no comício.

Apesar de ter voltado a afirmar que queria fazer uma campanha sem "picardias", não deixou de responder a críticas como a do almirante na reserva Henrique Gouveia e Melo, que esta manhã, em Gondomar, afirmou que é "completamente inútil" votar em André Ventura e considerou que o líder do Chega também é parte do "sistema" em Portugal, mas tenta baralhar os eleitores.

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Falando de si já como futuro Comandante Supremo das Forças Armadas (cargo inerente às funções de Presidente da República), André Ventura considerou que os seus adversários "têm uma forma sempre floral de falar e de dizer que vão fazer as coisas" e contrapôs que consigo não será assim.

"Eu não vos vou trazer conversa bonita e fiada. Eu vou dizer-vos que o país está neste estado e que nós temos de fazer isto para o endireitar. E que temos de o pôr na ordem. E que vai haver muitos que não gostam de o pôr na ordem. Mas este país já teve, conforme os militares sabem bem dizer, tempo demais de bandalheira. A partir de 18 de janeiro é tempo de ordem e eu espero ser o Presidente dessa ordem", afirmou.

Gouveia e Melo acusa Ventura de indignidade ao desrespeitar militares e bombeiros

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O candidato presidencial Gouveia e Melo acusou Ventura de indignidade ao desrespeitar as Forças Armadas usando um camuflado militar e, antes, quando apareceu a simular combater um fogo com um "raminho".

No final do seu discurso da sua candidatura presidencial, no Porto, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada falou diretamente para o seu adversário André Ventura: "O senhor não merece andar fardado".

"Pode andar à civil, merece todo esse respeito. Agora, não ande fardado", declarou, usando um tom de voz grave e arrancando da plateia uma prolongada salva de palmas.

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Gouveia e Melo voltou a dizer que não gostou de ter assistido à cena em que o presidente do Chega apareceu a discursar numa ação de campanha com um camuflado que antes lhe tinha sido oferecido por um grupo de antigos combatentes.

"Assisti a uma coisa que me deixou profundamente chocado. Um candidato que nunca foi militar, não fez o serviço militar obrigatório, não se ofereceu para as Forças Armadas como voluntário, a usar uma peça de uniforme. É indigno", acusou.

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O almirante afirmou depois que, nesta campanha presidencial, "não vale tudo".

"Já teve uma falta de respeito em relação aos bombeiros, quando vi esse candidato - e quando já havia incêndios há 12 dias em Portugal e com famílias completamente desesperadas -- a fazer um filme com um raminho a apagar um foguinho. Isso é indigno", declarou.

Gouveia e Melo considerou que "os bombeiros não gostaram de ver isso".

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"Os bombeiros que arriscam a vida, que têm de andar no fogo a queimar as sobrancelhas, não gostaram disso. Eu também não gostei. E, desculpe-me ter de lhe dizer isto na cara [André Ventura], não gostei de o ver hoje fardado", acrescentou

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