Gouveia e Melo critica quem escapa à justiça material por ter dinheiro ou posses
Posição do ex-chefe do Estado-Maior da Armada foi assumida depois de ter sido interrogado sobre o recomeço do julgamento do processo Operação Marquês no Juízo Central Criminal de Lisboa.
O candidato presidencial Gouveia e Melo foi esta terça-feira questionado sobre os sucessivos adiamentos no julgamento do antigo primeiro-ministro José Sócrates e, embora sem comentar esse processo, criticou quem escapa à justiça material por ter posses ou dinheiro.
Esta posição do ex-chefe do Estado-Maior da Armada foi assumida depois de ter sido interrogado sobre o recomeço do julgamento do processo Operação Marquês no Juízo Central Criminal de Lisboa.
Tendo ao seu lado o antigo ministro social-democrata da Justiça Fernando Negrão, apoiante da sua candidatura, Gouveia e Melo começou por afastar a tese de que o Presidente da República possa "dar um murro" na mesa para acabar com sucessivos adiamentos de julgamentos.
"O Presidente da República pode pressionar a Assembleia da República no sentido de que faça uma legislação menos permissiva e menos garantística", contrapôs.
A seguir, o candidato presidencial deixou uma advertência, sempre sem falar em qualquer processo judicial em concreto: "Se a justiça formal tiver uma prevalência muito forte sobre a justiça material, podemos ter situações em que a justiça material não se faz, apesar de ter havido crime".
"A justiça formal deve permitir fazer justiça material e não ser um mecanismo em que, havendo dinheiro e posses, se possa escapar aos factos da justiça material", declarou.
No período de pré-campanha, José Sócrates sugeriu que Gouveia e Melo era a melhor opção nas eleições presidenciais para travar o avanço da extrema-direita em Portugal. Mas o almirante reagiu logo no dia seguinte, dizendo que nada tinha a ver com a posição manifestada pelo antigo líder do PS.
Os jornalistas procuraram também saber a opinião de Gouveia e Melo sobre referências a uma situação de assédio sexual publicada nas redes sociais, envolvendo o eurodeputado liberal Cotrim Figueiredo, um dos seus opositores na corrida a Belém.
"Sobre isso não vou fazer nenhum comentário. Não falo sobre isso", acentuou.
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