Rui Moreira e a falta de apoio a Marques Mendes: "oposição interna é no Congresso do partido"

Mandatário nacional de Marques Mendes alertou o centro-direita de que não pode "cometer erros" e deve apoiar o social-democrata.

11 de janeiro de 2026 às 18:27
Rui Moreira Foto: CMTV
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Rui Moreira, mandatário nacional de Marques Mendes, avisou este domingo que o lugar para fazer oposição aos partidos é nos congressos e apelou a que o centro-direita "não cometa erros" e concentre já os votos no antigo líder do PSD.

O ex-presidente da Câmara do Porto falava num almoço-comício para cerca de 500 pessoas de apoio à candidatura presidencial de Luís Marques Mendes, em São João da Madeira (distrito de Aveiro).

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No dia em que foi divulgado um manifesto com o apoio de cem personalidades da AD ao adversário Gouveia e Melo, Rui Moreira deixou um recado com destinatários internos.

"Quem quiser fazer oposição ao seu partido, deve-o fazer no Congresso do partido. Não é fazer pequenas traições, vai ao Congresso do partido, entra e sujeita-se a que os seus, os seus camaradas, militantes do seu partido o ouçam, é aí que se faz, não é com minas e armadilhas", considerou.

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Rui Moreira disse que, se há pessoas do PSD que hoje estão "do outro lado", tal deve-se "à coragem e decência" que Marques Mendes demonstrou no passado, numa alusão a candidaturas autárquicas travadas quando era líder do PSD, como a de Isaltino Morais.

O ex-autarca avisou que ia votar já este domingo em Marques Mendes e pediu a todo o espaço do centro-direita para fazer o mesmo.

"Nós precisamos de não cometer erros e não nos podemos deixar encantar, como há alguns que dizem: 'bom, eu na primeira volta voto noutro qualquer, mas depois, na segunda volta, voto no Luís Marques Mendes'. Não, nós temos de votar Luís Marques Mendes agora, não é ficar à espera lá para os idos de fevereiro", apelou.

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Por outro lado, Rui Moreira afirmou que Belém não é o lugar certo para fazer oposição ao Governo, mas o parlamento, e defendeu a independência de Marques Mendes, dando o seu próprio exemplo.

"Tem-se vindo a dizer nos últimos dias na campanha que Luís Marques Mendes é o candidato do Governo, o candidato do PSD. (...) Eu não sou do PSD, não sou da AD, mas Luís Marques Mendes vai ser o Presidente de nós todos, de nós todos", disse.

Rui Moreira deixou críticas, em particular, à candidatura da IL, protagonizada por João Cotrim Figueiredo.

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"Ninguém tem o monopólio do reformismo, mas há uma coisa que eu sei, se não forem criadas as condições para que este Governo possa fazer reformas, essas reformas não vão ser feitas", disse.

O mandatário nacional de Mendes considerou que pedir reformas por carta ao primeiro-ministro -- como fez Cotrim -- "que não há nenhuma condição parlamentar para fazer" apenas demonstra "uma tática de alguma arrogância e de alguma soberba".

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"Está a pedir que ele faça reformas que não pode fazer. O que prenuncia o quê? Prenuncia a criação de uma crise política", avisou, lembrando que a IL chumbou o último Orçamento do Estado do Governo.

O antigo autarca afirmou ainda que todos os adversários de Marques Mendes o que querem é "a não-governabilidade".

"Eu compreendo perfeitamente que os representantes de outros partidos, aquilo que querem é arranjar maneira deste Governo cair para tentarem ver se depois nas eleições têm sorte e o partido deles ir para o próprio poder", disse.

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"Depois, já não vão falar nos ovos no mesmo cesto, essa conversa vai desaparecer com o coelho da Páscoa", acrescentou, numa referência implícita ao candidato apoiado pelo PS, António José Seguro.

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