Seguro ouviu que "é fixe" mas quer deixar "várias marcas" suas em Belém

Numa arruada com formato e mobilização das tradicionais campanhas, Seguro foi acompanhado por várias figuras do PS como a ex-ministra Ana Jorge.

07 de janeiro de 2026 às 21:08
António José Seguro Foto: Rui Minderico/Lusa
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António José Seguro ouviu esta quarta-feira que "é fixe", um 'slogan' lançado na campanha de Mário Soares de 1986 que admitiu ter cantado quando era jovem, mas agora, no seu tempo, quer deixar "várias marcas" próprias se chegar a Belém.

"Seguro é fixe" foi um dos vários cânticos entoados pelos apoiantes na Avenida da Igreja, no bairro de Alvalade, em Lisboa, onde o candidato presidencial fez praticamente tudo: colocou chapéus, visitou lojas, falou com pessoas, deu beijinhos, tirou 'selfies', fez o Euromilhões, dançou, comprou castanhas e até teve tempo para ir comprar livros.

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Numa arruada com formato e mobilização das tradicionais campanhas, Seguro foi acompanhado por várias figuras do PS como a ex-ministra Ana Jorge, o presidente da Assembleia Municipal de Lisboa André Moz Caldas, o ex-governante Miguel Prata Roque e o presidente da Câmara da Amadora Vítor Ferreira.

Ao longo do caminho, que durou mais de uma hora ao som de uma fanfarra constante e de cânticos puxados pelos jovens que, literalmente, vestem a camisola de Seguro, o candidato acenou para as janelas e admitiu, ao ouvir que "é fixe", que cantou por Mário Soares em jovem.

"Já tive oportunidade de falar que cada presidente, no seu tempo, deixa uma marca. E eu espero deixar várias", afirmou, enquanto passeava por Alvalade numa tarde soalheira.

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Num pequeno desvio da rota pela Avenida da Igreja, acabou a entrar numa livraria onde, depois de uma busca nas prateleiras, acabou por escolher "Maria Barroso: os legados", a mulher de Mário Soares de quem confessou ter saudades.

Questionado sobre se leu algum dos livros dos seus opositores nesta corrida a Belém, Seguro admitiu que não e também não manifestou interesse em fazê-lo, confessando que, em período de campanha, não tem conseguido pôr as leituras em dia.

Se os livros têm ficado para trás, já o pezinho de dança não tem faltado nesta campanha: em plena rua e quase em clima de Santo António, dançou com uma apoiante ao som dos versos "Cheira bem, cheira a Lisboa".

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Procurando a sua sorte, Seguro entrou numa papelaria para jogar no Euromilhões - fez uma aposta completa e aleatória - acabando, à saída, por conversar com um grupo de amigos em idade escolar, dos quais quis saber o que gostavam de fazer nos seus tempos livres, mas acabando por lhes explicar o que estava ali a fazer rodeado por tantas pessoas.

O candidato explicou o que eram as eleições presidenciais e aproveitou o momento para insistir na ideia de que a sua candidatura é suprapartidária e, já que os amigos eram dos 'três grandes' e ainda assim a amizade não estava em causa, usou uma analogia futebolística para demonstrar que é possível o diálogo na diferença.

Apesar da boa receção geral, para o socialista nem tudo foram rosas no caminho, pois encontrou um retornado que admitiu que não votaria nele, por não estar "satisfeito com o que o PS fez cá".

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Também um jovem monárquico foi ao seu encontro no meio da confusão para lhe desejar sorte nas eleições para a Presidência da República, apesar de, por convicção, não votar "neles", "a menos que seja estritamente necessário".

"Eu sou um republicano. Tenho muito respeito pelas opções" de cada um, respondeu Seguro, que garantiu ao jovem monárquico que, neste caso, é mesmo "estritamente necessário" votar nele, pedindo-lhe que "pense bem" e que "jogue pelo seguro".

No final da arruada, já sob o olhar da estátua de Santo António, o candidato e toda a sua comitiva rodearam um vendedor de castanhas que temia que o lume do seu assador se apagasse.

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De nota na mão, Seguro estava decidido a comprar um cartucho, aquisição que fez, seguindo-se uma conversa sobre a origem das castanhas, que eram de Sernancelhe, o que reavivou uma preocupação que tem acompanhado o produtor de vinho e azeite enquanto está na estrada rumo a Belém: a poda.

"Vai lá a Penamacor?", pediu Seguro ao vendedor, que lhe assegurou que "daqui a 15 dias", se quisesse, lhe fazia "a poda como deve ser", pois sabe fazê-la "de várias maneiras".

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