Concorrem às presidenciais 11 candidatos, um número recorde e a campanha eleitoral decorre de 4 a 16 de janeiro.
O candidato presidencial António Filipe reafirmou esta quarta-feira que não desiste da corrida à Presidência da República realçando estar "muito longe politicamente" da candidatura de António José Seguro, como da de Gouveia e Melo e de Marques Mendes.
A desistência das candidaturas de esquerda voltou esta quarta-feira à ordem do dia, depois do candidato Jorge Pinto ter dito que não será por ele que António José Seguro não será Presidente da República, durante o debate a 11 que de decorreu terça-feira na RTP, tendo esta quarta-feira afirmado que irá até ao fim.
"Eu hei de estar a votar no dia 18 e a perguntarem-me se eu vou desistir", ironizou António Filipe, durante uma iniciativa de campanha que decorreu esta manhã na Costa da Caparica, no concelho de Almada.
Questionado sobre a posição de Jorge Pinto, o ex-deputado comunista considerou que se o adversário apelou "a alguma desistência foi a dele próprio", salientando que isso não "o afeta minimamente".
À pergunta se foi contactado por outra candidatura respondeu: "Porque havia de ser contactado?".
O candidato à Presidência da República apoiado pelo PCP e pelo PEV disse ainda conhecer António José Seguro há mais de 40 anos e que são amigos, mas realçou que ambos têm "divergências políticas muito grandes".
"Mas, quer dizer, eu creio que o posicionamento político de cada um é claro, é conhecido. Quer dizer, eu estou muito longe politicamente da candidatura de António José Seguro, como estou da de Gouveia Mela, de Marques Mendes e de outras", frisou.
Na sua opinião, os candidatos mais "próximos politicamente" de António José Seguro, são Marques Mendes e Henrique Gouveia e Melo, basta ver o posicionamento que esses três candidatos têm e que disputam eleitorados muito próximos".
Questionado pelos jornalistas sobre se Seguro não está suficientemente à esquerda afirmou: "Mas o candidato António José Seguro diz alguma coisa de esquerda?"
Acrescentou ainda que se está a "falar de alguém que se absteve violentamente nos tempos da 'troika'".
"Nunca contámos com ele para combater a 'troika' e foi uma luta muito difícil em que os portugueses estiveram empenhados para ultrapassar esse período difícil em que os seus direitos foram tão ameaçados com cortes de subsídios, com cortes de feriados e nós nunca ouvimos uma palavra de António José Seguro sobre isso", sublinhou.
António Filipe defendeu que a sua candidatura é hoje "mais válida" do que quando avançou, que "não é uma candidatura satélite" e que a "vantagem que existe numa eleição a duas voltas é a possibilidade das pessoas votarem no candidato que querem mesmo".
"O candidato de esquerda não desiste, ele está aqui. E esta candidatura assumiu-se desde o primeiro dia como uma candidatura contra o consenso neoliberal e os candidatos que o representam", realçou.
As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro de 2026.
Concorrem às presidenciais 11 candidatos, um número recorde e a campanha eleitoral decorre de 4 a 16 de janeiro.
Os candidatos são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (poiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.
Esta é a 11.ª eleição, em democracia, desde 1976, para o Presidente da República.
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