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Candidatos exigem explicações ao Governo por mortes por atraso na assistência

Luís Montenegro garantiu esta quinta-feira, no debate quinzenal na Assembleia da República, que Ana Paula Martins vai continuar no Governo.

08 de janeiro de 2026 às 18:22

Os candidatos presidenciais exigiram esta quinta-feira esclarecimentos ao Governo por mais duas mortes alegadamente por atrasos na assistência médica, dividindo-se entre a exigência da demissão da ministra da Saúde e a responsabilização dos sucessivos executivos.

"Espero e desejo que alguém de responsabilidade venha no mínimo explicar esta situação", afirmou Luís Marques Mendes apontando diretamente à direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que disse andar "desaparecida em combate".

No entanto, o candidato apoiado pelos partidos do Governo (PSP e CDS-PP) admitiu que também Ana Paula Martins, "se entender", poderá dar "uma palavra de explicação" sobre estas mortes, que considerou "chocantes".

"Quem não explica, deixa que uma onda de indignação - que é o que está a acontecer - se propague na sociedade portuguesa. Isso também é mau. A credibilidade do sistema fica posta em causa e nós começamos a ter dúvidas [...]. É péssimo para o próprio Governo", considerou Henrique Gouveia e Melo.

Para o candidato às eleições presidenciais de 18 de janeiro, as falhas de gestão na saúde não são apenas responsabilidade deste Governo, mas sim da partidarização nos cargos superiores da administração pública.

"É deste Governo, é do anterior Governo, é dos partidos, dos principais partidos, que têm feito isso como um 'modus operandi', uma forma de operação tradicional dos partidos", sublinhou, classificando a situação como "uma grande irresponsabilidade".

Para António José Seguro, a situação na saúde é "inaceitável" e "alguém tem que pôr cobro a isto".

"Enquanto Presidente da República, tratarei diretamente desse assunto com o primeiro-ministro", respondeu o candidato apoiado pelo PS quando questionado sobre se Ana Paula Martins tem condições para resolver a situação.

Sobre a manutenção da ministra da Saúde no cargo, João Cotrim Figueiredo reafirmou que a composição do Governo cabe ao primeiro-ministro e, por isso, um Presidente da República não deve interferir nessa composição.

"Mas deve, no entanto, perceber da boca do primeiro-ministro se considera que há condições políticas para a ministra continuar", referiu.

Luís Montenegro garantiu esta quinta-feira, no debate quinzenal na Assembleia da República, que Ana Paula Martins vai continuar no Governo.

"Eu sei que agora apontam só a esta ministra [da Saúde como a responsável]. Claro que esta ministra faz parte do problema, não da solução. Agora, em abono da verdade, esta degradação de serviços públicos tem acontecido nas últimas décadas, por isso, a responsabilidade são dos últimos governos, desde o PSD e o PS, incluindo já com a 'geringonça'", defendeu o candidato André Pestana.

Para Catarina Martins, "estamos numa situação de calamidade na saúde". "Já não podemos dizer que foi um erro da ministra, uma coisa que correu mal. É mesmo um problema global do Governo, do qual o primeiro-ministro é o principal responsável", afirmou a ex-líder do Bloco de Esquerda.

Durante esta semana, já se registaram três mortes por alegado atraso no socorro: de um homem de 78 anos, no Seixal, que aguardou três horas por uma ambulância, de um outro de 68 anos em Tavira, que esteve mais de uma hora à espera de socorro, e de uma mulher na Quinta do Conde, em Sesimbra.

Apoiado pelo PCP, António Filipe acha que estes casos têm de ser investigados. "Têm de se perceber exatamente porque é que isso aconteceu e o que é que tem de ser alterado para que isso não aconteça", completou.

"O Presidente tem de começar a dizer ao Governo que aquilo que tem de fazer na saúde tem de ter resultados concretos. Porque nenhum plano que o Governo apresenta na saúde tem resultados concretos", criticou André Ventura.

O líder do Chega ameaçou que caso isso não aconteça, se for eleito Presidente da República haverá "consequências" para o Governo.

"A consequência é dizer ao Governo que se não entra na linha, a ministra da Saúde tem que sair", indicou.

A campanha eleitoral está no seu quinto dia, terminando em 16 de janeiro.

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