Funcionários ligavam apenas os ventiladores para simular que os corpos estavam a ser incinerados.
O “caso dos caixões” começa esta semana a ser julgado em Espanha, colocando no banco dos réus 23 arguidos, entre os quais os proprietários do Grupo Funerário El Salvador e 19 funcionários. Em causa estão alegações de troca de caixões antes das cremações, com posterior revenda, prática que terá ocorrido durante cerca de duas décadas.
De acordo com o jornal espanhol El Mundo, os corpos eram colocados no forno crematório apenas quando os familiares abandonavam o local. Antes disso, os fornos não eram ligados, sendo ativados apenas os ventiladores para simular o funcionamento do equipamento. Posteriormente, os caixões retirados seriam reutilizados para revenda. Também coroas e arranjos florais eram reaproveitados.
O caso tornou-se público em 2019, após a chamada Operação Ignis, desencadeada pela polícia espanhola. A investigação teve origem nas denúncias de um antigo funcionário da empresa, Justo M., que trabalhou no crematório privado do grupo desde 1995 até à sua reforma, em 2015.
Durante esse período, Justo terá preenchido 26 cadernos onde registava as alegadas irregularidades. Em cada apontamento incluía a data da cremação, o nome completo do falecido, o número de identificação, idade, estado civil e local de proveniência. Assinalava ainda “C. SI” quando, segundo a sua versão, o caixão era retirado antes da cremação, ou “C. NO” quando tal não acontecia.
O funcionário tirou fotografias ao longo dos anos, em algumas imagens, os corpos surgem identificados com um cartaz com o nome e colocados no forno dentro de caixas descartadas ou sobre tampas de caixões, avança o El Mundo.
O Ministério Público espanhol sustenta que a atividade terá gerado lucros ilícitos significativos. Estima-se que 5.973 falecidos tenham sido despojados dos respetivos caixões, num valor total de 3.7 milhões de euros. A reutilização de 3.174 arranjos florais terá rendido mais 381 mil euros. No total, os alegados benefícios ascendem a 4 milhões de euros.
Entre os crimes imputados aos principais arguidos contam-se constituição de organização criminosa, apropriação indevida continuada em concurso com burla continuada, crime continuado contra o respeito devido aos mortos, branqueamento de capitais e falsificação de documentos comerciais. A acusação pede penas que podem chegar aos 20 anos de prisão para os membros da família proprietária. Para os restantes arguidos, as penas solicitadas variam entre dois e nove anos de prisão.
O funcionário, considerado o denunciante do caso, foi encontrado morto em agosto de 2024, aos 73 anos, na sua residência em Santovenia de Pisuerga. A morte ocorreu antes do início do julgamento.
Segundo o El Mundo, apesar de ter sido o principal responsável pela revelação pública do caso, Justo M. chegou a ser condenado por extorsão. Após a reforma, manifestou descontentamento com o valor da sua pensão e exigiu compensação financeira ao proprietário da empresa, alegando ter participado nas práticas denunciadas. Perante a recusa, enviou fotografias e cartas ameaçando divulgar o material.
Em janeiro de 2019, foram realizadas buscas nas instalações do grupo funerário e nas residências dos proprietários e trabalhadores. Na casa do patriarca da família foi apreendido quase um milhão de euros em numerário, cuja origem foi justificada com alegada preferência por manter poupanças em dinheiro vivo.
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