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Carneiro desafia Montenegro a ser "mais claro" sobre de que lado está na segunda volta

Líder do PS atirou que "entre a democracia e aqueles que atentam contra a democracia não pode haver neutralidade política".

19 de janeiro de 2026 às 14:50

O secretário-geral do PS desafiou esta segunda-feira o primeiro-ministro a ser mais claro sobre de que lado está nas presidenciais, assumindo estranheza e incompreensão por Luís Montenegro não apoiar António José Seguro na segunda volta contra André Ventura.

"Entre a democracia e aqueles que atentam contra a democracia não pode haver neutralidade política. No meu ponto de vista, ele [Luís Montenegro] deve ter uma posição mais clara sobre se está do lado dos valores constitucionais e do lado dos valores democráticos, ou se está do lado daqueles que atentam contra os valores democráticos e os valores constitucionais", afirmou José Luís Carneiro aos jornalistas, na Póvoa de Lanhoso, distrito de Braga.

O líder do PS, que falava à margem do almoço comemorativo do 30.º Aniversário da Associação de Apoio aos Deficientes Visuais de Braga, lembrou que, ainda antes da primeira volta das eleições presidenciais, foi "muito claro" sobre quem apoiava numa eventual segunda volta entre o candidato apoiado pelo PSD/CDS-PP e pelo líder do Chega, André Ventura.

"O Partido Socialista, perante um quadro eleitoral em que esteja o doutor Luís Marques Mendes de um lado e André Ventura do outro lado, nós não temos dúvidas em apoiar o candidato que defende os valores democráticos e constitucionais, neste caso o doutor Luís Marques Mendes", recordou José Luís Carneiro.

António José Seguro e André Ventura vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais, em 08 de fevereiro, depois de, no domingo, o candidato apoiado pelo PS ter conquistado 31% dos votos e Ventura, líder do Chega, obtido 23%.

O secretário-geral do PS assumiu estar feliz por apoiar um candidato que passou à segunda volta, mas adverte que ainda há trabalho pela frente de "todos os democratas, democratas humanistas, democratas cristãos, daqueles que defendem os valores constitucionais".

Para José Luís Carneiro, "a grande maioria do povo português é muito generosa na forma como olha para a vida, para o mundo, para o seu semelhante", mas avisa que, nos últimos anos, "há alguém que tem vindo a estimular o ódio, a violência e a disrupção das instituições".

"E nós como cidadãos temos de dizer de forma clara aquilo que queremos em relação ao nosso futuro coletivo. Eu não tenho dúvidas, e por não ter dúvidas é que disse o que disse: que se houvesse dois candidatos, o doutor Luís Marques Mendes e André Ventura, eu não tinha dúvidas em quem apoiar. É por isso que estranho muito as dúvidas que Luís Montenegro tem em relação a estas opções", frisou Carneiro.

Apesar da posição assumida por Luís Montenegro, o secretário-geral do PS destaca que "felizmente" há vozes no seio do PSD que já manifestaram publicamente apoio a António José Seguro, na segunda volta, dando o exemplo do presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, e de Miguel Poiares Maduro, mas também de personalidades da Iniciativa Liberal.

"Espero que este movimento seja um movimento em bola de neve que venha a mostrar que a sociedade portuguesa continua maioritariamente a defender os valores, que são os nossos valores que nos permitem viver em comunidade nacional", afirmou José Luís Carneiro.

Sobre o facto de não ter estado presencialmente na noite de domingo ao lado de António José Seguro, Carneiro desvalorizou, dizendo que telefonou a Seguro.

"Tive a reunião do secretariado nacional do PS, onde fiz uma declaração, telefonei-lhe, felicitei-o e dei-lhe um abraço. Ele é o candidato de todos os portugueses, é suprapartidário. Não há candidatos partidários nas eleições presidenciais. Houve um, esse candidato partidário é do Chega. Os outros candidatos são suprapartidários que têm o apoio dos partidos políticos", justificou.

Sobre a sua eventual participação em ações de campanha na segunda volta das presidenciais, José Luís Carneiro explicou que irá participar "nos termos em que a candidatura" de António José Seguro "entender que são os termos mais adequados", à semelhança do que aconteceu na primeira volta.

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