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ERC abre três procedimentos sobre desinformação nas redes sociais

LabCom identificou 14 conteúdos desinformativos, a esmagadora maioria (85,7% dos casos) envolvendo André Ventura.

15 de janeiro de 2026 às 00:35

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social abriu três procedimentos sobre o cumprimento da lei das sondagens, após a monitorização da desinformação nas redes sociais na campanha presidencial, informou hoje a ERC .

A entidade reguladora assinou em novembro de 2025 um protocolo com o LabCom -- Unidade de Investigação em Ciências da Comunicação da Universidade da Beira Interior (UBI) para monitorizar e identificar conteúdos de desinformação publicados nas redes sociais durante a pré-campanha e campanha das presidenciais.

Até esta semana, a LabCom identificou 14 conteúdos desinformativos, a esmagadora maioria (85,7% dos casos) envolvendo André Ventura, candidato apoiado pelo Chega, que atingiram mais de 7,7 milhões de visualizações nas redes sociais.

Questionada pela Lusa, a ERC informou hoje que, "no seguimento da monitorização de conteúdos de desinformação publicados nas redes sociais no contexto das eleições presidenciais 2026, foram abertos, até ao momento, três procedimentos administrativos relacionados com o cumprimento da Lei das Sondagens".

A entidade reguladora não revela quais são os casos nem os envolvidos.

Em 05 de janeiro, a Lusa Verifica revelou que André Ventura e apoiantes a partilharam um "inquérito da Intrapolls" que o colocam "à frente de Marques Mendes" na corrida presidencial. Os dados, porém, resultam de um modelo baseado em Inteligência Artificial, não de um inquérito e os dados apontavam para um empate.

O protocolo com a ERC prevê que o LabCom monitorize casos de "sondagens falsas ou desenvolvidas por empresas não registadas na ERC", por exemplo, mas também "notícias alteradas para promover uma perceção enganosa da realidade", "vídeos informativos manipulados ao nível do som, imagem, texto ou outro formato", entre outras questões.

O estudo do LabCom está a monitorizar a desinformação relacionada com a presença digital dos pré-candidatos e candidatos nas redes com maior expressão em Portugal (Facebook, Instagram, X, TikTok, Threads e Youtube) e começou a ser elaborado em 17 de novembro de 2025.

Os conteúdos desinformativos atingiram, no total, segundo os investigadores João Canavilhas e Branco Di Fátima, 7.712.000 visualizações nas redes sociais (todas as vezes que o conteúdo aparece aos utilizadores, incluindo repetições), e geraram 324.555 reações, 51.922 comentários e 24.543 partilhas.

São números que, segundo João Canavilhas, coordenador do LabCom, e Branco Di Fátima, jornalista e investigador da LabCom, "evidenciam um elevado envolvimento dos utilizadores com conteúdos desinformativos" e um "impacto expressivo no espaço público digital".

Em quatro semanas de pré-campanha e na campanha eleitoral, os investigadores identificaram 14 casos de desinformação e André Ventura, candidato apoiado pelo Chega, é responsável por 85,7% dos casos identificados, enquanto os restantes são de pré-candidatos que não foram aceites pelo Tribunal Constitucional (TC), como Joana Amaral Dias.

Um dos casos com maior repercussão foi o de um vídeo partilhado pelo candidato a Belém André Ventura logo no dia 01 de janeiro, de acordo com o relatório do LabCom, que foi visualizado por mais de um milhão de vezes, com particular destaque para o Instagram.

Na conta do líder do Chega foi partilhado um vídeo das redes sociais do jornal espanhol OK Diário, que mostra um incêndio na Igreja de Vondelkerk, em Amesterdão, na noite de Ano Novo, alegadamente provocado por imigrantes, associando-lhe a legenda "islamização da Europa".

Ao acrescentar a legenda, André Ventura estabeleceu "uma ligação direta entre o incidente e a comunidade muçulmana" que não existia na notícia original, segundo os investigadores.

O resultado foi elevado: 1.028.534 de visualizações, 40.250 comentários, 6.197 comentários, 3.487 partilhas e um alcance de 436.167 (número estimado de utilizadores únicos que viram o conteúdo pelo menos uma vez).

As eleições presidenciais, disputadas por número recorde de candidatos (11), estão marcadas para domingo.

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