Candidatos presidenciais irão a votos no dia 18 de janeiro.
O debate presidencial todos-contra-todos, que juntou na RTP1 os 11 candidatos presidenciais que no dia 18 de janeiro irão a votos, arrancou com um olhar sobre a política externa. As opiniões dos candidatos dividiram-se sobre a intervenção norte-americana na Venezuela e captura de Nicolás Maduro. O candidato apoiado pelo PSD, Luís Marques Mendes, registou a situação como "muito delicada", reconhecendo que a operação aconteceu "à margem do direito internacional", mas considerando que o Governo "fez o que podia" no que toca à posição tomada.
Já Gouveia e Melo afirmou que "o direito internacional" é das coisas que mais protege um país com as dimensões de Portugal, e descreveu como "ilegítima" a intervenção norte-americana, considerando que esta anuncia "uma ordem mundial com base na força".
André Ventura preferiu separar "a questão Trump" da "questão Venezuela", afirmando que "é bom um ditador acabar na cadeia" e que os venezuelanos "não estão tristes com a prisão de Nicolás Maduro, e que a operação foi necessária para levar o ex-líder venezuelano à "justiça". Sobre a Gronelândia, e as pretensões de Trump sobre o território administrado pela Dinamarca o líder do Chega afirmou que a Europa deve reconhecer "o erro" de ficar dependente dos EUA, e que se "houver uma ameaça" à sua soberania, deve "defender a honra e lutar".
António José Seguro lembrou a questão da comunidade portuguesa na Venezuela, considerando-a como "a mais importante" para as instituições do Estado. Afirmou depois que o momento atual é "muito importante", defendendo que já devia ter havido uma reunião dos líderes da NATO — incluindo os EUA, que devem "esclarecimentos" aos parceiros da aliança. A preocupação com a comunidade imigrante foi acompanhada pelo liberal João Cotrim Figueiredo, que criticou a ação "unilateral" norte-americana, e alertou que os argumentos que estão agora a ser usados para a Gronelândia "podem ser usados para os Açores".
Entre os candidatos à esquerda, o consenso foi geral. "Donald Trump foi muito claro: quer ficar com o petróleo e decidir como é que a Venezuela é governada", afirmou Catarina Martins, lembrando a relação de Trump com regimes autoritários, como a Arábia Saudita. Também António Filipe, do PCP, e Jorge Pinto, do Livre, afirmaram que "não compete" a um poder externo interferir na política interna de outro país, e que a violação "grosseira" do direito internacional deveria ter sido condenada pelo Governo português.
No seu estilo tipicamente cáustico, Manuel João Vieira disse não gostar da ideia de os EUA invadirem países da Europa. "Qualquer um de nós, se fôssemos Presidentes da República, por muito sanguinários e cocainómanos que fossemos, não gostávamos de ser extraídos. Defendeu o investimento na Defesa através de "uma bomba portuguesa que pode ser direcionada a qualquer país e a qualquer momento", e a criação da "criptonota de Santo António", uma criptomoeda equivalente ao petróleo.
André Pestana começou por lamentar a data tardia do debate a 11 e o desequilibrio de tempo de antena entre os candidatos, criticando depois Trump e a extrema-direita por "quererem mudar o paradigma" do direito internacional. A fechar a primeira ronda, Humberto Correia disse que a Venezuela "é a prova de que o comunismo não funciona", mas que a América também "é um perigo", e alertou para a possibilidade de "uma catástrofe" no país e para o imperativo de salvar os portugueses no país.
Passando para o plano interno, António José Seguro prometeu ser uma força para "equilibrar" o sistema político, delineou a Saúde e a Habitação como grandes causas que o país deve abraçar, e voltou a dizer que, consigo em Belém, "os interesses" ficam à porta. Em sentido inverso, André Ventura voltou a afirmar que não será "uma jarra de enfeitar" na Presidência, e disse que os portugueses "estão fartos de presidentes de pactos" (numa crítica aos apelos à convergência de Seguro), prometeu ser interventivo e criticou Marques Mendes entre os adversários à direita. "Não pode ser Presidente da República, porque não vai ser indpendente do Governo, vai ser o Presidente do Governo", afirmou do candidato apoiado pelo PSD.
Gouveia e Melo, por seu turno, criticou "o cinismo" do sistema político, atacou o "casamento de conveniência" de Seguro com os apoiantes de António Costa no PS, e voltou a afirmar que não será "uma marioneta", mas "um árbitro" na política nacional. Rejeitou ainda as críticas de "populismo" dos adversários, dizendo que várias das suas posições passadas, como os perigos da reeleição de Trump e a necessidade de investir na Defesa, lhe estão a dar razão.
Visado por algumas das acusações de proximidade ao Governo, Marques Mendes disse que não será "nem adversário, nem amigo" do executivo, mas que dará "condições de estabilidade ao Governo para mostrar resultados". Afirmou ainda que muitos dos seus adversários "são todos muito independentes, mas têm como grande objetivo criar dificuldades ao Governo". E descreveu como "gravíssimo" o posicionamento de Gouveia e Melo, que afirmou que demitiria um executivo que não cumprisse promessas eleitorais. "Tem uma visão muito especial da estabilidade", afirmou. Já as críticas aos adversários pela "apropriação" da imagem de Sá Carneiro mereceram uma das poucas interrupções da noite, por parte de André Ventura. "Francisco Sá Carneiro não é de ninguém, é de todos, é de Portugal", atirou, numa crítica que foi acompanhada por Cotrim de Figueiredo.
Confrontado pelo moderador, Carlos Daniel, sobre notícias que esta terça-feira afirmaram que estaria disposto a desistir a favor de António José Seguro — se todos os candidatos à esquerda do socialista o fizessem —, Jorge Pinto começou por não responder, afirmando apenas que quer "defender a democracia", e que qualquer pacto à esquerda teria de ter "reciprocidade" pelos restantes candidatos à esquerda. "Houve tempo para se pronunciarem sobre isto, mas não o fizeram", afirmou. "No que de mim depender, a esquerda passará à segunda volta", disse. E acabou mesmo por afirmar diretamente quem uma eventual desistência favoreceria. "Não será por mim que António José Seguro não será Presidente da República, mas o ónus não está comigo".
Na resposta, António Filipe foi claro. "A minha candidatura é para levar ao fim, ponto final. Não é candidatura-satélite de nenhuma outra", afirmou o comunista, dizendo que não defende "o consenso neoliberal" representado pelas candidaturas ao centro. Já Catarina Martins afirmou que "se era para consertar alguma coisa, Jorge Pinto podia ter-me telefonado". Já Seguro aproveitou para voltar a lançar o apelo ao voto útil como forma de passar à segunda volta.
Ventura aproveitou para atacar a posição do candidato do Livre. "Temos um candidato aqui em palco a dizer que não será por ele que outro candidato não será Presidente; então a candidatura é uma fraude", atirou.
Entre os 'candidatos pequenos', André Pestana contrariou a ideia de que teria de ser visto como mais do que um líder sindical para ser eleito, afirmando que traz uma mensagem de "esperança" às gerações futuras. Humberto Correia destacou a Habitação como prioridade e exigiu a construção de "100 mil habitações sociais por ano" para responder à crise. Manuel João Vieira disse que a solução para os problemas da Saúde passa por "proibir a doença" e que se deveria "inserir na Constituição o direito à felicidade".
Os candidatos presidenciais foram questionados sobre os temas que consideram mais relevantes e ainda não foram tratados. Marques Mendes lamentou que nunca se tenha abordado o tema das comunidades portuguesas nos debates presidenciais. António José Seguro destacou a necessidade de falar sobre a crise na Saúde e sobre a igualdade de género. André Ventura afirmou ser essencial falar da "limpeza que o Estado precisa" e da reforma da Justiça. António Filipe realçou o acesso à Educação, Saúde e Trabalho com direitos. Cotrim de Figueiredo disse que é essencial falar de Cultura e Conhecimento, dos quais se "falou pouco" na campanha.
Jorge Pinto falou de quatro temas que "ajudou" a trazer à conversa: regionalização, violência doméstica, transição ecológica e cultura "para todos". Catarina Martins disse que "faz falta discutir muita coisa", nomeadamente o "cuidar" de toda a gente, dos mais novos aos mais velhos, do trabalho à economia. André Pestana destacou a redução da idade da reforma. Manuel João Vieira disse que é importante falar das reservas de ouro para financiar um projeto chamado "botão resolver", baseado sobretudo em "ciência, inteligência artificial e estupidez natural". Para Humberto Correia, o tema mais relevante são as alterações climáticas.
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