Seguro mora nas Caldas da Rainha num prédio que tem um agência de seguros no rés-do-chão e uma loja de doces ao lado. Vizinhança ficou satisfeita com a eleição.
Nas redondezas da casa de António José Seguro, onde restam marcas da noite eleitoral, elogia-se a boa vizinhança do Presidente eleito e, quem trabalha para si há duas décadas, aponta as qualidades que "toda a gente sabe", mas também há reservas.
À porta do prédio de António José Seguro, a mais filmada da noite eleitoral da segunda volta das eleições presidenciais deste domingo, ainda permanecem alguns vestígios da agitação mediática, com algumas credenciais de imprensa perdidas e espalhadas no chão.
A vitória do socialista, natural de Penamacor e adotado pela cidade das Caldas da Rainha, parece ter sido bem recebida pelos locais, mas os comerciantes da zona preferem até falar do "bom vizinho" Seguro, para lá da política.
Sara Duarte, dona de uma loja de doces mesmo ao lado casa do ex-líder socalista, considera a eleição "muito boa" para as Caldas da Rainha e descreve o Presidente da República eleito como uma "pessoa muito humana, muito correta" que vai ser chefe de Estado "de todos os portugueses".
Além da personalidade política, Sara Duarte desfaz-se em elogios ao vizinho de cima António José Seguro. Para enaltecer a sua postura, lembra um episódio de "há umas semanas":
"Nós tivemos aqui uma infiltração de uma clareira de cima e ele mostrou-se logo pronto para ajudar, a perguntar o que é que havia de fazer para que isto corresse bem", relatou à Lusa, apontando para as marcas visíveis no teto.
"Ele tenta ajudar sempre todos aqueles vizinhos no que seja preciso", garante a caldense, que reconhece em Seguro o "perfil certo" para o Palácio de Belém.
Rosário, que trabalha há 23 anos como empregada para a família de António José Seguro, emociona-se a falar da vitória do 'patrão'.
"Significa muito. Sempre acreditei quando ele se candidatou", garante.
Descreve-o com as características que diz que "toda a gente sabe": "Acho que toda a gente sabe, que ele é boa pessoa, que é humilde, que é honesto, é simpático com toda a gente, é boa pessoa", afirma.
Não antevê grandes mudanças na sua vida, frisando que a manhã começou como de costume: "O dia começou à hora normal. Não muda nada. Já lhe dei os parabéns, está bem disposto. Ontem não consegui dar porque era muita gente, mas hoje já tive oportunidade de falar com ele".
Questionada sobre se se vê a acompanhar Seguro para o Palácio de Belém responde rapidamente e bem humorada: "Eu? Não! Acha? Nem ele, quanto mais eu".
Carla Oliveira, diretora de uma agência de seguros no rés-do-chão do prédio de Seguro, fala de um vizinho "muito cordial, muito simpático" com o "perfil certo" para a Presidência da República.
Brinca com a coincidência de Seguro morar por cima de uma agência de seguros, admite que não tem o Presidente da República eleito como cliente, mas diz que gostaria de o convencer a ser segurado pela sua agência, que se instalou recentemente no prédio e, por isso, chegou muito depois da família de António José Seguro.
Para encontrar alguma desconfiança sobre o socialista é preciso afastar-se uns metros da sua casa e ir até à famosa Praça da Fruta. Por lá, a vendedora Adélia, que até reconhece a humildade do antigo líder do PS, é cautelosa em antecipar uma boa Presidência de António José Seguro: "É como um casamento. Ao princípio é tudo muito bom, mas com o tempo piora".
Questionada pela Lusa sobre se confia nos políticos, responde sem rodeios: "Claro que não. Ainda não fizeram nada por mim". Para os próximos anos, deixa apenas um desejo: "Eles que se entendam que já são grandes".
O futuro Presidente da República saiu de casa cerca das 14:36 e saudou, de dentro do carro, os jornalistas presentes à porta, seguindo para o Palácio de Belém, onde será recebido por Marcelo Rebelo de Sousa às 16:00 para "assegurar a transição institucional" entre o atual chefe de Estado e o que vencedor das eleições presidenciais.
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