António José Seguro foi este domingo eleito Presidente da República com quase 67% dos votos.
'Os vencedores desta noite são os portugueses e a democracia', diz o Presidente eleito António José Seguro
"Os vencedores desta noite são os portugueses e a democracia". Foi desta forma que António José Seguro se dirigiu ao País, no primeiro discurso enquanto Presidente da República. Nas Caldas da Rainha, o vencedor das Presidenciais sublinhou a participação dos portugueses no ato eleitoral, asseverando que os eleitores "afirmaram a sua cidadania e deram voz aos valores em que acreditamos".
António José Seguro foi este domingo eleito Presidente da República com quase 67% dos votos. Sucede a Marcelo Rebelo de Sousa, tendo alcançado a maior vitória de sempre em número de votos, com quase 3,5 milhões de votos, superando o recorde da reeleição de Mário Soares, em 1991.
O candidato vencedor começou o discurso com uma palavra de pesar pelas vítimas mortais do mau tempo e, lançou já na noite da vitória um apelo a que o Governo intervenha.
"A solidariedade dos portugueses foi heróica, mas não pode nunca substituir a responsabilidade do Estado. Os 2,5 mil milhões de euros prometidos para a reconstrução têm de chegar ao terreno agora. Não aceitarei burocracias que impeçam a chegada dos apoios", disse, acrescentando numa referência às populações afetadas: "Não vos esquecerei e não vos abandonarei".
Declarando-se "livre" e "sem amarras", o novo chefe de Estado garantiu que essa é a sua "garantia de independência". De seguida, dirigiu-se a André Ventura, o seu adversário nesta noite eleitoral, afirmando que "como democrata, todos os que concorrem comigo merecem o meu respeito", e que como futuro inquilino do Palácio de Belém, será um presidente que respeita todas as tendências políticas. "A maioria que me elegeu extingue-se esta noite", sublinhou.
Numa altura em que o país fecha um ciclo sucessivo de eleições, Seguro disse que Portugal "tem uma oportunidade única" para aproveitar um período de estabilidade com os poderes políticos legitimados, que possam garantir a resolução de problemas.
"Comigo não ficará tudo na mesma", garantiu, indicando depois qual será o seu estilo de intervenção. "A palavra do Presidente da República terá peso e consequência. Não falarei por tudo e por nada".
António José Seguro afirmou que jamais será "um contrapoder" ou oposição, mas avisou que será um "Presidente exigente", assegurando que não será por si que a legislatura será interrompida".
Seguro foi questionado sobre a duração da legislatura e respondeu: "não será por mim que ela será interrompida". "Prometi a lealdade e cooperação institucional com o Governo. Cumprirei a minha palavra. Jamais serei um contrapoder, mas serei um Presidente exigente com as soluções e com os resultados", enfatizou.
Terminando o discurso como começou, com uma referência às cheias e ao mau tempo que assolam o país, reafirmou o credo da sua campanha, de que será "o Presidente de todos os portugueses". "A todos é exigida lealdade institcuional, e para que não restem dívidas, a minha lealdade é para com os portugueses. Todos somos portugueses, todos somos Portugal".
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