Líder do Chega disse ter "uma missão" de "derrotar o passado" nas eleições do próximo domingo.
O candidato presidencial e líder do Chega, André Ventura, estabeleceu esta segunda-feira como objetivo "vencer o socialismo" e antecipou que a partir de domingo ele próprio passará a ser o líder da direita.
"Nós já passámos à segunda volta, já vencemos todo o espaço da direita e do centro-direita. O nosso adversário não é de direita nem de centro-direita, o nosso adversário é um socialista, nós neste momento não temos desculpas, nós temos que vencer o socialismo em Portugal", afirmou, considerando que "honrar a confiança" que os portugueses lhe deram na primeira volta "é não permitir que o socialismo volte".
Numa sessão com apoiantes, em Aveiro, num auditório meio cheio, o candidato a Presidente da República considerou que o país atravessa um "momento absolutamente histórico" e disse ter "uma missão nesta segunda volta das eleições".
"Nós temos a missão de derrotar o passado para o qual não queremos voltar. Aquilo que eu vos convoco é para esta luta final, esta luta de reta final, darmos tudo, sairmos todos, nos mobilizarmos todos nesta luta final que é não só contra o socialismo, mas é também para definir o país que queremos ser".
"Nós não queremos ser um país socialista, queremos ser um país moderno e um país livre. É isso que esta segunda volta vai ser. E, meus caros, nós vamos vencer", disse.
De manhã, o candidato apoiado pelo Chega tinha dito não estar preocupado com o resultado.
André Ventura considerou também "incontornável, vencendo as eleições ou não vencendo as eleições, que esta segunda volta é um marco na mudança no sistema político".
"Nós na primeira volta das eleições vencemos o candidato apoiado pelo Governo, com o partido maior do parlamento [Luís Marques Mendes], vencemos o candidato liberal [João Cotrim Figueiredo], e ainda vencemos um candidato independente [Henrique Gouveia e Melo]. Portanto, conseguimos que este movimento se tornasse na liderança da direita e da oposição em Portugal. Eu diria que depois do dia 8 de fevereiro não haverá mais outra conversa de direita, nós seremos a direita", defendeu.
"Nós seremos a liderança da direita e a verdadeira e única alternativa ao espaço socialista. Basta ver que o Governo e o seu líder não conseguem sequer tomar uma decisão evidente sobre quem é que deviam apoiar", criticou.
O candidato a Presidente da República, que disputa a segunda volta das eleições presidenciais com António José Seguro, classificou ainda como "hilariante" os apoios de pessoas de direita ao candidato apoiado pelo PS e disse acreditar que tem "o povo" consigo.
"Portugal tornou-se uma espécie de proteção de interesses comum, em que quando esse sistema de proteção de interesses foi posto em causa, todos, fossem de direita, centro-direita, centro-esquerda, imediatamente se puseram a sair da toca, para dizer 'eu estou do outro lado, eu também estou do outro lado', inclusive pessoas que deviam, por definição, estar mais próximas desta área política", criticou, rematando: "Eles dizem que é em nome da decência, eu acho que é em nome do tacho".
Questionado por um dos apoiantes sobre o futuro do Chega caso seja eleito Presidente da República, André Ventura disse que acredita que o espírito do partido "perdurará", mesmo que vença as eleições de domingo.
Sobre quem irá liderar o partido, não esclareceu se se manterá à frente do Chega depois das eleições, mas disse que "o Chega terá que fazer o seu caminho sem um dos seus fundadores", seja esse dia domingo ou outro.
"Eu quero que o partido escolha em liberdade esse futuro e que não seja eu a dizer quem é que deve ficar, porque somos um partido democrático, de milhares de militantes, que escolherá livremente o seu futuro", disse, referindo que o Chega, mesmo que Ventura seja eleito Presidente da República, terá de manter uma postura "exigente com o Governo", mas com abertura para fazer acordos, como já o fez nesta legislatura.
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