Ex-presidente do PSD centrou o discurso nas causas da insatisfação popular perante a classe política e até a democracia.
O ex-líder do PSD Rui Rio considerou este domingo que Gouveia e Melo é o único candidato presidencial acima dos partidos e dos interesses setoriais, e que pode ser Presidente da República independente, sem dever a ninguém.
"Precisamos dos partidos no parlamento, na via quotidiana e nas autarquias, mas na Presidência da República precisamos de alguém que não tenha amarras a interesses partidários, nem amarras a interesses individuais ou setoriais", declarou Rui Rio, mandatário nacional da candidatura presidencial de Gouveia e Melo.
No discurso que proferiu no almoço/comício de arranque da campanha do ex-chefe do Estado-Maior da Armada, no pavilhão do Bairro da Boavista, em Lisboa, Rui Rio traçou uma linha de demarcação entre Henrique Gouveia e Melo e os outros candidatos a Belém. Só o almirante, acentuou, não é candidato oficial de um partido político.
O almirante, segundo o ex-líder do PSD e antigo presidente da Câmara do Porto, "está completamente livre e independente desses interesses, sendo por isso genuíno, frontal e transparente".
"Não devendo nada a ninguém tem as condições para ir para a Presidência da República com essa total independência e com essa frontalidade", acrescentou.
O ex-presidente do PSD centrou sobretudo o seu discurso nas causas da insatisfação popular perante a classe política e até a democracia.
Começou por visar indiretamente o presidente do Chega, André Ventura, acusando-o de, através de "tiradas populistas", tentar explorar o descontentamento das pessoas, culpando os 50 anos de democracia em Portugal.
"Diz que nos últimos 50 anos andou tudo a gamar e que são todos corruptos, são todos bandidos. Ora, isto não é minimamente aceitável e não podemos ir por esse caminho. Quando assim dizem, estão a acusar personalidades como Francisco Sá Carneiro, Mário Soares, Freitas do Amaral ou até mesmo Álvaro Cunhal, que eu tanto discordei", declarou.
Para Rui Rio, as causas do descontentamento estão nos últimos 25 anos, no século XXI da democracia portuguesa -- período em que Portugal teve crescimentos económicos medíocres e que agravou problemas na saúde ou na justiça.
"Na base, está um problema de facilitismo. Os políticos vão para o facilitismo para conquistar votos. A classe política não tem tido coragem nem força para afrontar interesses instalados, sejam de origem partidária, sejam poderes corporativos ou setoriais", especificou.
Na perspetiva do ex-presidente do PSD, para acabar com a insatisfação popular, "não pode ser nem com populismo, nem com um voto em mais do mesmo".
"O populismo não é sério, não tem soluções, só critica e só explora emoções. E o mais do mesmo vai dar naturalmente os mesmos resultados que tivemos aqui. Temos de votar diferente", acrescentou.
Antes, o antigo dirigente social-democrata e ex-presidente da Câmara de Cascais Carlos Carreiras disse que a sua aproximação ao ex-chefe do Estado-Maior da Armada começou por ser emocional, durante o processo de vacinação contra a covid-19, "mas, hoje, é também racional".
"Gouveia e Melo tem capacidade de liderança, de mobilização. Conheci-o no combate à pandemia da covid-19. Somos testemunhas de que salvou muitas vidas com a sua ação", advogou.
Carlos Carreiras defendeu depois que Portugal precisa na Presidência da República "de alguém que seja inspirador para colocar o país num rumo certo" e que já tenha demonstrado ter capacidade para "convocar as academias do saber, sejam universidades, empresas ou utilizadores de novas tecnologias".
Henrique Gouveia e Melo "é o exemplo da capacidade de concretizar. Sentimos confiança em Gouveia e Melo. É quem está mais preparado", disse.
Na abertura do almoço/comício, a mandatária para a juventude, Júlia Araújo, licenciada em economia, deixou uma mensagem suprapartidária: "Estão aqui jovens unidos em defesa de uma liderança pelo exemplo, de exigência e não em torno de ideologia".
"Precisamos de líderes com provas dadas e não com discursos fáceis. Henrique Gouveia e Melo é quem representa a mudança, quem mobiliza pelo exemplo, com coragem para mudar", completou.
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