Estragos causados pelo mau tempo continuam a marcar a campanha eleitoral para a segunda volta das eleições.
Os estragos causados pelo mau tempo continuam a marcar a campanha, com António José Seguro a sugerir uma flexibilização das obrigações fiscais aos lesados, e André Ventura a responder a críticas por fazer campanha em locais afetados.
Neste quarto dia de campanha oficial para a segunda volta das presidenciais de 08 de fevereiro, o candidato presidencial António José Seguro começou o dia no Norte do país, onde voltou a fazer uma sugestão ao Governo sobre a resposta aos problemas causados pela depressão Kristin, que na quarta-feira deixou um rasto de destruição nalguns distritos de Portugal continental.
Numa ação de campanha na Lixa, em Felgueiras (distrito do Porto), o candidato e ex-secretário-geral do PS propôs ao Governo de Luís Montenegro (PSD/CDS-PP) que alargue os prazos para as pessoas e empresas afetadas pelo mau tempo cumprirem as obrigações fiscais e administrativas perante o Estado, "designadamente nos concelhos que estão mais afetados e que estão sob calamidade".
Seguro considerou ainda "lamentável", "inconcebível" e "inimaginável" a possibilidade de a Comissão Europeia não alargar os prazos de execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para ajudar à reconstrução.
O candidato mais votado na primeira volta defendeu igualmente que o país não parece ter aprendido "com outras situações que ocorreram no passado recente", vincando que a solidariedade não substitui "a responsabilidade do Estado".
Seguro, que tem ido visitar zonas onde se verificaram estragos, adiantou que no domingo irá visitar mais um local afetado, dizendo estar a equacionar ir acompanhado da comunicação social "se houver condições para isso".
Sobre o facto de, até agora, o ter feito sozinho, sem a presença de jornalistas, Seguro insistiu que tem procurado assegurar "uma separação completa" entre campanha eleitoral e a proximidade às populações e aos autarcas com quem tem contactado.
O candidato presidencial André Ventura, segundo mais votado no primeiro sufrágio, voltou ao Centro do país para visitar uma estufa destruída pelo mau tempo, na zona de Ortigosa, no concelho e distrito de Leiria.
A postura do líder do Chega foi alvo críticas do presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes (PS), que, numa referência indireta a ações de campanha de Ventura na véspera, considerou "ridículo quando alguém quer oferecer meia dúzia de garrafas de água e se filma para trazer numa carrinhazinha pequenina a ajuda ao distrito e ao concelho de Leiria".
Ventura comentou as declarações durante a ação na zona de Ortigosa dizendo tratar-se de "picardias políticas".
"Temos de nos focar no que falhou e na ajuda a estas pessoas. Tive a preocupação de ir ao centro de Leiria imediatamente, ouvi no centro de Leiria de várias pessoas que à volta estava muito pior e eu senti que tinha o dever como candidato de estar aqui", contrapôs.
A campanha de hoje decorre na véspera do voto antecipado no domingo, 01 de fevereiro, para o qual estão inscritos 309 mil eleitores em Portugal continental e nas Regiões Autónomas da Madeira e Açores, segundo dados enviados à Lusa pela Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI).
De acordo com dados provisórios, a administração eleitoral recebeu 308.501 inscrições de eleitores que pretendem exercer o voto de forma antecipada no dia 01 de fevereiro, mais 90 mil do que na primeira volta.
Os distritos com maior número de inscritos são Lisboa (89.689), Porto (50.518), Setúbal (26.580), Braga (17.601), Aveiro (17.257), Faro (16.621), Coimbra (15.035), Santarém (12.242) e Leiria (11.663).
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