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Ventura exige a Montenegro que se retrate depois de "dar a entender" que pessoas foram responsáveis pela própria morte

Líder do Chega diz que PM deu a entender que a responsabilidade das pessoas que morreram devido ao mau tempo é das próprias.

02 de fevereiro de 2026 às 13:32

O candidato presidencial e líder do Chega, André Ventura, exigiu esta segunda-feira ao primeiro-ministro que se retrate depois de ter "dado a entender" que as mortes devido ao mau tempo foram responsabilidade dessas pessoas.

"Numa intervenção do primeiro-ministro, ele basicamente está a entender que a responsabilidade das pessoas que morreram é delas próprias. E, portanto, que as pessoas não conseguiram evitar esta consequência, dando a entender que foi pelo seu comportamento que acabaram por morrer", afirmou.

O candidato a Presidente da República falava aos jornalistas antes de uma visita à empresa Madeiras Alto Tâmega, em Chaves, no distrito de Vila Real, inserida na campanha para a segunda volta das eleições presidenciais, marcada para domingo.

André Ventura salientou que "não foi" essa a situação e que as pessoas "não estavam à espera" do mau tempo que tem afetado o país nos últimos dias.

"No máximo foi por inação do Estado que acabaram por morrer", defendeu.

André Ventura disse esperar que estas declarações tenham sido "um lapso".

"Eu penso que o primeiro-ministro terá, e espero que tenha, a oportunidade de se retratar em relação a estas palavras", desafiou.

No domingo, em conferência de imprensa após um Conselho de Ministros extraordinário que aprovou medidas de apoio para as populações afetadas pelo mau tempo, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, transmitiu condolências às "famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perderem a vida em função destes episódios adversos.".

O candidato presidencial voltou a criticar as medidas anunciadas pelo Governo para apoio às populações afetadas, considerando que são "verdadeiramente insuficientes para o que se está a passar" e "um ultraje ao sofrimento das pessoas".

Ventura acusou novamente o Governo de incompetência na gestão da crise e defendeu que Portugal já devia ter recorrido ao fundo de solidariedade europeu.

"Eu compreendo que se o Governo tivesse apresentado um valor absolutamente incontornável e confortável para as pessoas, talvez tivéssemos abdicado os fundos da União Europeia. Nós estabelecemos tetos de 500 e tal euros por pessoa e de 1.070 euros por agregado familiar, então se não há dinheiro, e se temos fundos disponíveis, porque é que o governo mais uma vez não o fez? É incompetência", sustentou.

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