A nova ameaça de Trump

Departamento de Defesa dos EUA sugere suspensão da Espanha na Aliança Atlântica, por não apoiar a guerra contra o Irão. Entrada da Ucrânia na União Europeia poderá estar para breve.

26 de abril de 2026 às 01:30
A cimeira decorreu num ambiente de boa disposição, apesar das notícias vindas da América Foto: Oliver Hoslet/EPA
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Se há temas que as reuniões dos líderes europeus já têm fechados, tudo o que é relacionado com os EUA não é um deles. Em plena reunião dos 27 Estados-membros, em Chipre, a Reuters revelou que o Pentágono estava a estudar formas de penalizar membros da NATO que não alinharam no apoio ao ataque ao Irão e Espanha é o principal alvo. Um email interno do Depar- tamento de Defesa dos EUA sugeria, inclusive, a suspensão de Espanha na NATO.

“No comments”, foi a resposta do primeiro-ministro português, um dos países fundadores da Aliança Atlântica. O chefe do Governo espanhol prefere confiar apenas em documentos oficiais, mas a NATO já fez saber que nos seus artigos não há forma de expulsar um membro.

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Apesar deste contratempo, a cimeira que reuniu os 27 Estados-membros da UE em Chipre terminou num ambiente mais leve, uma vez que Orbán está fora das contas. Uma fonte diplomática ouvida pelo CM descreve as reuniões com um “ar mais dissipado, um ar mais puro”, ainda que seja preciso esperar para ver o estilo que o novo primeiro-ministro húngaro vai adotar. Todos contam que seja mais próximo de Bruxelas, até porque já se fala de um novo caminho para a Ucrânia. Ainda que oficialmente não haja uma solução para colocar Kiev no bloco europeu, admite-se que muito em breve esteja mais dentro da UE do que nunca.

Com a Ucrânia a garantir o empréstimo de 90 mil milhões de euros, a pressão sobre a Rússia volta a estar na agenda europeia. Putin deverá ser convidado para estar presente na cimeira do G20 nos EUA, algo que Luís Montenegro não critica. “Não me parece mal”, diz o primeiro-ministro português, uma vez que a “inclusão da Rússia na avaliação das grandes questões não é negativa”.

O encontro em Chipre serviu também para sublinhar a importância da defesa europeia, sem contar com a NATO. O ataque de um drone iraniano em território cipriota deixou a Europa em alerta, tanto que o país não faz parte da Aliança Atlântica. A UE tem um artigo semelhante ao que acontece na NATO, que prevê uma defesa a um Estado atacado, mas tem várias leituras e nunca foi utilizado na sua plenitude. Por isso, a Comis- são Europeia vai analisar cenários, de forma a definir uma espécie de protocolo caso seja necessário acionar.

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