Duas guerra e um bloqueio
Hungria trava empréstimo a Kiev, enquanto o petróleo russo, que atravessa a Ucrânia, não chegar ao país. Líderes cautelosos quanto aos desenvolvimentos e efeitos da guerra no Médio Oriente.
A reunião máxima da UE teria sido um prolongamento do retiro dos líderes de todos os países, mas as guerras que o Mundo atravessa mudaram os planos. Os chefes de Estado e de Governo iriam falar principalmente de competitividade, só que os dois conflitos que fazem tremer o Mundo acabaram por tomar as refeições em Bruxelas.
Se o ataque ao Irão ocupou o espaço público, a guerra na Ucrânia continua e está a causar um dos maiores mal-estares entre os Estados-membros dos últimos anos. Orbán, primeiro-ministro húngaro, tinha aceitado que a UE fizesse um empréstimo à Ucrânia em dezembro, a ser transferido agora, no início da primavera. Agora recuou, o que viola a tradição das decisões no seio da UE.
“Ninguém pode chantagear o Conselho Europeu, ninguém pode chantagear as Instituições Europeias”, disse António Costa no final da reunião. Palavras duras e em público que são um espelho da reunião.
O recuo de Orbán deve-se a um ataque russo a um oleoduto que atravessa a Ucrânia e leva petróleo à Hungria. Orbán diz que só há empréstimo se o petróleo voltar a circular e a UE já se ofereceu para fazer o arranjo. Mas a Hungria mantém o bloqueio até ver a obra terminada.
“Seria falta de credibilidade se não fôssemos capazes de executar” o empréstimo, considerou Luís Montenegro no final do encontro. O primeiro-ministro português foi dos líderes mais cuidadosos na linguagem e acredita que “este ruído” poderá acabar, até porque os líderes europeus deram a sua palavra “perante os eleitores cidadãos e os europeus”.
A Ucrânia tem agora um balão de oxigénio com a ajuda de perto de 8 mil milhões do FMI e isso dá tempo à UE de concertar o oleoduto e fazer a vontade a Orbán ou encontrar uma solução. Já na reação à crise que a guerra no Irão ameaça trazer, a UE opta pelo apelo ao diálogo.
Uma coisa é certa: esta não é uma guerra onde a Europa queira entrar, ainda que pague grande parte da fatura. António Costa sublinhou a importância da ordem, uma vez que a alternativa “é o caos”. Disse-o ao lado de Guterres, que esteve em Bruxelas na reta final do mandato como secretário-geral da ONU. Montenegro também aposta na diplomacia, mas pouco mais. “Portugal tem utilizado a diplomacia para sensibilizar todas as partes”, disse.
O programa ‘Europa Viva’ é emitido aos sábados (12h30) no ‘Jornal da Hora de Almoço’ do NOW. As reportagens serão exibidas nos principais jornais do NOW e da CMTV. Além da página semanal no CM, os conteúdos estarão disponíveis no site ‘Europa Viva’, nas plataformas online do CM, ‘Negócios’, ‘Sábado’ e ‘Record’.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt