“Vladimir Putin mentiu”: Durão Barroso especula sobre o futuro da guerra na Ucrânia

Em entrevista exclusiva ao ‘Europa Viva’, o antigo presidente da Comissão Europeia diz que “Putin exagera no poder que tem” e que “temos de estar, claramente, do lado da Ucrânia”.

21 de junho de 2026 às 01:30
Barroso foi o curador da 2.ª Conferência do NOW, que reuniu destacadas figuras mundiais Foto: ANTÓNIO COTRIM/Lusa_EPA
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“Não podemos confiar em Putin, ele mentiu-nos quando estava a invadir a Crimeia, 2014”, é a resposta de Durão Barroso sobre o que ainda pode acontecer na Ucrânia, numa altura em que o conflito com a Rússia entrou num impasse, depois da última tentativa de alcançar um cessar-fogo. Barroso considera que a resolução do conflito “será uma questão de esgotamento de ambas as partes ou de uma das partes. Vai ser difícil para Putin apresentar uma solução aos russos depois de ter perdido tantas vidas, mas não acredito que o Presidente russo abdique do Donbass e da Crimeia; por outro lado, também não acredito que a Ucrânia deixe parte do seu território, espero que não deixe”. Barroso lembrou que em diplomacia “tudo é possível”, e que estamos perante uma situação de “jogo de soma negativa na Ucrânia”, mas não tem dúvidas: “Temos de estar, claramente, do lado da Ucrânia.”

Barroso foi presidente da Comissão Europeia (2004-2014), e reuniu-se 25 vezes com Putin. “Não é algo de que me orgulhe, mas aconteceu devido às minhas responsabilidades. Putin exagera no poder que tem, pensa que tem todo o poder, mas o seu poder é limitado, é o chamado Síndrome de Húbris, um distúrbio associado à falta de empatia e uma autoconfiança e arrogância excessivas.”

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Sobre o conflito no Médio Oriente, mostra-se “cético sobre um cessar-fogo” porque isso “não vai resolver as questões de fundo, entre os países envolvidos. Mas, por outro lado, lançou o debate sobre o estreito de Ormuz, que, antes desta ofensiva, não existia”. Na conferência de aniversário do NOW, Durão Barroso moderou um debate com antigos líderes europeus como Theresa May, do Reino Unido, e Aznar, de Espanha. Todos concordaram que a relação da Europa com os EUA vai ser o ponto mais desafiante, nos próximos meses, para a Europa. O comissário europeu para a Defesa e Espaço, Andrius Kubilius, também orador deste debate, lembrou que a grande questão tem que ver com a defesa e a NATO, mas “principalmente com o nível de compromisso que os EUA e o seu Presidente queiram oferecer”.

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