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Acordo com salvaguarda: UE aceita eliminar tarifas sobre produtos norte-americanos mas reserva direito de as reativar

Texto votado no Parlamento Europeu em meados de junho.

31 de maio de 2026 às 01:30

Bruxelas aceita eliminar tarifas sobre produtos norte-americanos, mas reserva o direito de as reativar caso Washington não cumpra os compromissos assumidos

Depois de meses de impasse, divisões internas e pressão crescente de Donald Trump, a União Europeia e os Estados Unidos chegaram a um entendimento provisório sobre o acordo comercial transatlântico. O pacto, alcançado após longas horas de negociações em Bruxelas, representa um avanço diplomático significativo, mas vem acompanhado de uma condição clara da parte europeia.

O texto inclui um mecanismo de salvaguarda que permite à Comissão Europeia suspender as reduções tarifárias sempre que um aumento das importações norte-americanas ameace setores estratégicos da economia europeia ou caso Washington não respeite os termos acordados. Na prática, Bruxelas reserva o direito de reativar tarifas de forma rápida e unilateral se os interesses do bloco forem colocados em causa.

Em troca da abertura europeia, os Estados Unidos comprometem-se a limitar a 15% as tarifas sobre a maioria das exportações europeias. Do lado de Bruxelas, a União Europeia aceita eliminar tarifas sobre produtos industriais e alguns produtos agrícolas norte-americanos. Um equilíbrio frágil, mas suficiente para desbloquear meses de negociações travadas.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, lembra que a Europa continua a ser um “parceiro comercial fiável e previsível”. Ainda assim, deixou um recado direto: se os EUA falharem os compromissos, a resposta europeia será imediata.

O acordo surge num momento de tensão elevada. Donald Trump tinha voltado a ameaçar impor tarifas de 25% sobre o setor automóvel europeu a partir de 4 de julho, intensificando a pressão sobre o bloco comunitário.

A ameaça acelerou as negociações e contribuiu para quebrar o impasse entre os Estados-membros que se dividiam sobre a melhor forma de responder a Washington. O texto segue agora para votação na sessão plenária do Parlamento Europeu, prevista entre 15 e 18 de junho em Estrasburgo.

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