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Europa respira de alívio

As eleições na Hungria e a derrota de Orbán abrem uma nova fase na vida da UE. Apoio à Ucrânia, guerra no Médio Oriente e financiamento marcam encontro da próxima semana no Chipre.

19 de abril de 2026 às 01:30

Quando o jantar for serviço, quinta-feira, no Chipre, aos chefes de Estado e de Governo da União Europeia, as intolerâncias de Viktor Orbán vão deixar de ser consideradas. É a primeira cimeira europeia que já não terá a presença do até agora primeiro-ministro da Hungria, que esteve 16 anos no poder.

O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, estará presente no encontro, que começa com um jantar e conta com um convidado já habitual: Zelensky volta a ser ouvido e, desta vez, tudo indica com um ambiente bem mais leve. A Hungria tem endurecido os vetos às decisões europeias ligadas à guerra na Ucrânia, principalmente à ajuda financeira a Kiev. Em causa está, sobretudo, a ajuda da UE à Ucrânia no valor de 90 mil milhões de euros, a conceder este ano e no próximo. Orbán chegou a dar luz verde a este empréstimo, em dezembro, mas no último Conselho Europeu, em março, deu o dito por não dito e recuou, alegando que Kiev estava a impedir a Hungria de receber petróleo russo, ao não reparar o oleoduto Druzhba, que passa pelo território ucraniano. Foi danificado durante um ataque russo. Tanto Zelensky como a União Europeia já garantiram que estará a operar em pleno até ao final deste mês.

Com a mudança de Governo na Hungria, a União Europeia espera que o primeiro-ministro eleito, Péter Magyar, dê sinais de uma maior proximidade com Bruxelas. Durante a campanha eleitoral, o líder do Tisza, de centro-direita, deu indicações que a sua postura será completamente oposta à de Orbán. Ainda assim, como afirmou ao CM uma fonte de Bruxelas, há que esperar para ver. “Tudo é melhor que Orbán, mas não sabemos ao que vem o novo primeiro-ministro [Magyar]”, disse. Outro ponto que a Europa quer ver resolvido é a aprovação e aplicação de um novo pacote de sanções à Rússia, o 20.º, que a Hungria também tem bloqueado. Por saber está, ainda, quem estará presente em representação da Hungria, uma vez que o processo de transição governativa ainda não está concluído. O encontro de Chipre vai ainda debater o conflito no Médio Oriente e o financiamento da UE para os próximos anos. Neste ponto Portugal tem o maior interesse em participar, pois existe o risco de o nosso país perder financiamento europeu.

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