No rescaldo de um Conselho Europeu dominado pela guerra, Montenegro defende mais interligações e exportação de energia. Costa assume a competitividade como prioridade urgente.
A competitividade deveria ser a protagonista absoluta do Conselho Europeu em Bruxelas, mas a realidade geopolítica voltou a baralhar as prioridades. Com a guerra no Irão, o tema impôs-se na agenda, trazendo o fantasma da instabilidade nos mercados globais e colocando a crise energética sob os holofotes. A Europa está refém da fatura energética e arrisca-se a perder a corrida face às grandes potências mundiais.
Perante este cenário, o presidente do Conselho Europeu lançou um alerta claro: os preços elevados não são apenas um fardo económico, são um desafio crítico à sobrevivência da União. Para Costa, a competitividade está sob ameaça enquanto a Europa não “quebrar as correntes da dependência externa”. Ao destacar 2026 como o “Ano da Competitividade”, apontou a autossuficiência como caminho estratégico. A solução passa por acelerar a descarbonização e o investimento em fontes próprias, tornando a transição verde num motor de produção interna. “A soberania económica começa na capacidade da União produzir a sua própria energia”, disse.
Neste xadrez, Portugal surge com um argumento de peso. O País tem investido de forma consistente na transição verde, assumindo a liderança na produção renovável. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, sublinhou esta realidade, vincando que “o Estado português é dos que mais têm trabalhado na descarbonização”, mas avisou que esta vantagem competitiva só fará diferença se for aproveitada à escala europeia. A falta de interligações é apontada como um dos grandes obstáculos, já que a energia barata da Península Ibérica não chega ao centro da Europa em quantidade suficiente. Montenegro defende a necessidade de “robustecer a rede interna e aumentar a capacidade exportadora”, permitindo que a energia limpa circule livremente e baixe os preços no mercado comum.
Em tempos de guerra, depender de importações é uma vulnerabilidade estratégica. Luís Montenegro apelou à solidariedade europeia, ao avisar que o mercado único continuará incompleto enquanto prevalecer o isolacionismo. Num mundo em grande mudança, a verdadeira autonomia só existe se a Europa for capaz de gerar a sua energia e, acima de tudo, de a partilhar sem obstáculos.
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