Hamas e Irão juram vingança pela morte de Ismail Haniyeh

Líder do gabinete político do Hamas foi morto por um míssil em Teerão, num ataque atribuído a Israel. Ataque aumenta o risco de um conflito armado envolvendo toda a região.

01 de agosto de 2024 às 01:30
Foto: Direitos Reservados
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O líder do gabinete político do Hamas, Ismail Haniyeh, 

foi morto na madrugada desta quarta-feira em Teerão, num ataque atribuído a Israel que ameaça mergulhar a região numa nova espiral de violência, com o Hamas e o Irão a jurarem 

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Haniyeh, de 62 anos, tinha viajado para o Irão para assistir à tomada de posse do novo Presidente, Masoud Pezeshkian, e estava a dormir quando um míssil atingiu o apartamento onde estava alojado, na região Norte da capital iraniana. Fonte do Hamas disse que Haniyeh sofreu um “impacto direto”.

Israel não assumiu a responsabilidade pelo ataque, ao contrário do que tinha feito horas antes quando matou o principal comandante do Hezbollah em Beirute, mas o PM, Benjamin Netanyahu, avisou esta quarta-feira que os próximos dias serão “difíceis” e garantiu que o país “está preparado para qualquer cenário”, tendo prometido uma “resposta pesada” a qualquer ataque.

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O míssil que matou Haniyeh terá sido lançado por um avião israelita fora do espaço aéreo iraniano, numa embaraçosa falha de segurança para o regime de Teerão, que esta quarta-feira prometeu “defender a sua integridade territorial, dignidade, honra e orgulho”. “Faremos os terroristas lamentarem o seu ato cobarde”, garantiu o Presidente Pezeshkian.

O Hamas também jurou vingança pela morte do seu líder. “Não queremos uma guerra regional, mas este crime tem de ser punido”, disse o vice-líder do movimento, Khalil al-Hayya.

Ismail Haniyeh era o principal rosto do Hamas no exterior desde 2017 e era um dos participantes nas negociações para um cessar-fogo em Gaza. “Como é que as negociações podem ser bem-sucedidas quando uma das partes assassina o negociador do outro lado?”, questionou esta quarta-feirao Qatar, que tem atuado como mediador.

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Após o ataque de 7 de outubro, Israel prometeu destruir o Hamas e eliminar todos os seus dirigentes. Em janeiro, o braço-direito de Haniyeh, Saleh al-Arouri, foi morto num ataque israelita em Beirute. Dois meses depois, foi a vez de Marwan Issa, vice-chefe do braço armado do grupo, as Brigadas al-Qassam, cujo comandante, Mohammed Deif, foi alvo de um ataque em Gaza em julho, não se sabendo se está vivo ou morto. Três filhos e quatro netos de Haniyeh foram também mortos num ataque aéreo israelita em Gaza, em abril. “Morreram como mártires”, disse na altura o líder político do Hamas, garantindo que a morte dos familiares em nada alteraria as suas posições políticas.

Perfil

Um terrorista moderado

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Membro do Hamas desde a fundação, Haniyeh aproximou-se do líder histórico do movimento, Ahmad Iassin, de quem foi braço-direito. No grupo sunita, manteve uma ‘coligação de interesses’ com os xiitas do Irão, o que garantiu saúde financeira ao Hamas. Quando as milícias do Hamas invadiram Israel a 7 de outubro de 2023, causando 1400 mortes e feito 250 reféns, Haniyeh carimbou a certidão de óbito que agora se materializou.

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