Há ainda muita dor e incompreensão na pequena localidade drusa onde um foguete do Hezbollah matou 12 crianças e adolescentes em julho, mas a vida continua, apesar da ameaça sempre presente.
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As crianças voltaram a jogar futebol no pequeno campo de Majdal Shams, onde o impecável relvado artificial só é manchado por uma cerca rebentada onde ainda permanecem algumas bicicletas carbonizadas. As marcas de destruição e o memorial às vítimas não é só o que resta naquele recanto sossegado da vila nos Montes Golã onde um foguete Falaq, lançado em julho do ano passado pelo Hezbollah desde o vizinho Líbano, matou doze crianças e adolescentes.
Há ainda muita dor e ainda incompreensão pelas razões do ataque contra a pacata comunidade síria drusa naquela região controlada por Israel. “Perdi o meu filho e mais três crianças da minha família”, diz Lythe Abu Saleh. O filho, Fajr Abu Saleh, tinha 16 anos e era um dos 200 jovens que naquele dia estavam no relvado do campo de Majdal Shams. Lythe, que tem um negócio nas imediações, foi um dos primeiros a testemunhar o horror: “O que eu vi, pedaços de corpos de seres humanos espalhados pelo chão, espero que nunca ninguém veja.” A presença de jornalistas chamou mais familiares de Lythe Abu Saleh ao memorial no relvado. Todos usam uma medalha dourada com a imagem das crianças mortas. Sila também carrega a imagem do irmão Fajr e o olhar triste não esconde a dor de estar naquele lugar. Apesar da tragédia, Lythe só quer seguir em frente na vida. “Não temos vontade de vingança”, garante, apesar de ter pagado “o imposto mais caro desta guerra”.
A 45 quilómetros de Majdal Shams, em cima da cerca metálica que divide Israel do Líbano, fica Metula. A proximidade e a posição geográfica deste enclave israelita tornou a cidade alvo fácil da artilharia furtiva do Hezbollah. O abrandamento dos combates – ainda esta quarta-feira Israel bombardeou Nabatieh – trouxe alguma esperança à região onde a desconfiança parece ser endémica. Nas estradas e em posições estratégicas permanecem as forças do Estado judaico e a baixa intensidade dos combates não relaxa ninguém.
No ‘bunker’, o presidente da Câmara de Metula, David Azoulai, mostra como funciona o sofisticado sistema de vigilância da fronteira. Câmaras de vídeo com elevada capacidade de aproximação às aldeias do Sul do Líbano vigiam qualquer movimento suspeito.
Os bombardeamentos de Israel contra posições do Hezbollah, muitas vezes dissimuladas em infraestruturas civis, e a resposta da milícia xiita apoiada pelo Irão deixaram desertas as vilas e aldeias nos Montes Golã. “Cinquenta por cento da população fugiu” de uma terra onde “80 por cento das casas têm vista para o Líbano”, observa David Azoulai. O autarca nota que “para o Hezbollah, Metula é um lugar a conquistar” e lembra que “[os radicais libaneses] dispararam para 470 das 680 casas da localidade”.
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