Documentos, datados entre 2018 e 2022, foram encontrados na Faixa de Gaza pelas autoridades israelitas.
Documentos internos do Hamas, descobertos por Israel e consultados pelo portal noticioso Euractiv revelaram que o movimento islamita monitorizava de perto as organizações não-governamentais (ONG) internacionais que operam na Faixa de Gaza.
Segundo o Euractiv, o Hamas exigia a presença de elementos de confiança como intermediários junto das organizações, várias das quais recebiam financiamento direto de Bruxelas, o que revela a dimensão dos esforços do grupo designado pela UE como organização terrorista para controlar ONG financiadas pelos 27.
Os documentos, datados entre 2018 e 2022, foram encontrados na Faixa de Gaza pelas autoridades israelitas durante a guerra iniciada após o ataque do Hamas contra Israel, a 07 de outubro de 2023.
As Forças de Defesa de Israel (FDI) desclassificaram os documentos, analisados por investigadores do instituto NGO Monitor, com sede em Jerusalém. A organização partilhou depois os ficheiros e as conclusões com a Euractiv.
Os documentos fornecem um retrato inédito da forma como o Interior Security Mechanism (ISM), uma unidade especial do Ministério do Interior do Hamas, monitorizava e aprovava os projetos das ONG na Faixa de Gaza.
Os ficheiros sugerem que várias ONG europeias, ainda que inadvertidamente, colaboravam mais estreitamente com o grupo do que até agora se admitia.
"A guerra entre Israel e o Hamas aumentou a necessidade de assistência humanitária no território. Mas, mesmo antes do conflito mais recente, suspenso em outubro graças a um cessar-fogo mediado pelos EUA, o enclave controlado pelo Hamas já dependia fortemente da ajuda internacional, especialmente da UE", refere o portal.
Segundo o NGO Monitor, o Hamas utilizava os chamados "garantes", habitantes de Gaza que serviam de ponto de contacto entre o grupo e as respetivas ONG. Estes "garantes" ocupavam frequentemente cargos administrativos influentes nas organizações, como diretor ou presidente do conselho.
"Alguns eram membros do Hamas, outros eram descritos como simpatizantes de confiança ou 'afiliados ao Hamas'". Esta última expressão foi usada para referir um membro da ONG humanitária italiana Cesvi, financiada pela UE.
Um documento de dezembro de 2022 lista dados pessoais de vários 'garantes' e adianta que estes podiam ser "explorados para fins de segurança, para infiltrar em associações estrangeiras o seu pessoal sénior estrangeiro e os seus movimentos".
A vigilância sobre os 'garantes' incluía descrições pormenorizadas do comportamento religioso, vestuário, atividade na Internet e convicções políticas. Os documentos revelam ainda que o Hamas "detinha um conhecimento profundo da estrutura interna das organizações".
Num relatório de 2020, as autoridades do Hamas assinalam que os escritórios da International Medical Corps (IMC), uma organização global sem fins lucrativos, estiveram encerrados durante uma semana por esta se recusar a entregar relatórios financeiros e administrativos ao Hamas. Após a ONG financiada pela UE cumprir as exigências, os escritórios foram reabertos.
Num documento de dezembro de 2022, as autoridades do Hamas anotam que o atual diretor administrativo da IMC é membro do grupo, com a patente de capitão.
Os documentos mostram também que o Hamas procurava tirar proveito dos projectos das ONG para atividades militares, relevando um datado de 16 de junho de 2021, em que o movimento islamita refere que a Oxfam, uma confederação global de organizações não-governamentais que combate a pobreza, desigualdade e injustiça em mais de 90 países, colaborou com um grupo local ligado ao grupo para implementar um projeto de irrigação para pomares.
O projeto hídrico da Oxfam, financiado pela UE, decorreu numa "área fronteiriça, sensível para a segurança", anotou o Hamas, acrescentando que as árvores de fruto "são conhecidas por servirem de cobertura para atividades de resistência em zonas fronteiriças".
Segundo o NGO Monitor, o Hamas "assegurou que o projeto da Oxfam fosse executado para manter e ocultar posições taticamente vantajosas para as suas forças". As organizações Cesvi, Oxfam e IMC ainda não responderam aos vários pedidos de esclarecimento feitos pelo Euractiv.
"Os documentos internos provam pela primeira vez a infiltração e o controlo exercidos pelo Hamas sobre o ecossistema humanitário de Gaza", disse Olga Deutsch, vice-presidente do NGO Monitor, à Euractiv.
Estes memorandos "pormenorizam a rede formal de monitorização, controlo e influência sobre a atividade das ONG. Apesar disso, as ONG nunca mencionaram esta infiltração e repressão exercidas pelo Hamas", acrescentou.
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