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Porque é que Israel está a extrair o esperma de soldados mortos na guerra?

Governo israelita flexibiliza regras de acesso ao procedimento.

14 de agosto de 2024 às 17:52

Em Israel, um número crescente de pais enlutados está a pedir para que o esperma dos filhos mortos em combate seja extraído e armazenado, segundo noticiou a BBC. Após o ataque do Hamas em Gaza a 7 de outubro de 2023, deixou de ser preciso uma ordem judicial para os pais solicitarem o procedimento.

Avi Harush, pai de Reef, soldado de 20 anos morto no conflito armado, escolheu requerer a extração do esperma do filho porque este "adorava crianças e queria ter filhos". Várias mulheres ofereceram-se para gerar o filho de Reef, que não tinha esposa nem namorada.

Segundo o ministério da Saúde israelita, já foi congelado o esperma de cerca de 170 homens jovens, tanto civis quanto soldados. Mas para outras famílias os processos legais arrastam-se, porque é preciso provar que os homens queriam ter filhos.

Os primeiros pais em Israel a pedir para que o esperma de um filho falecido fosse armazenado foram Rachel e Yaakov Cohen, cujo filho Keivan foi morto por um atirador palestiniano em 2002, na Faixa de Gaza. "Muita gente não entendia ou não apoiava" o procedimento, contou Rachel, que colocou um anúncio no jornal à procura de uma mãe para o filho de Keivan e hoje tem uma neta, Osher, de 10 anos, nascida dos espermatozoides dele.

As regras atuais baseiam-se em diretrizes publicadas nessa altura, mas, em pleno conflito armado com o Hamas, os legisladores ainda não clarificaram o nível de consentimento explícito exigido do morto nem se a criança teria direito aos benefícios normalmente concedidos aos filhos de soldados mortos em serviço. Também existem divergências sobre o que deveria acontecer se a viúva de um soldado não quisesse usar os espermatozoides para ter um bebé.

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