Apenas um terço dos postos de abastecimento russos tem reservas de combustível

Em causa estará a escassez provocada pelos ataques ucranianos a refinarias russas.

18 de agosto de 2026 às 18:59
Refinaria Foto: Paulo Duarte
Partilhar

Cerca de apenas um terço dos postos de abastecimento da Rússia dispõe de reservas de combustível devido à escassez provocada pelos ataques ucranianos a refinarias russas, avançou esta terça-feira o jornal russo Izvestia.

Segundo o jornal russo, citado pela agência noticiosa espanhola EFE, há uma semana o combustível estava disponível em 41% dos postos de abastecimento do país, o que demonstra que a situação continua a agravar-se.

Pub

Na semana passada, as autoridades de pelo menos oito regiões russas reconheceram que existem problemas com o combustível nesses territórios.

O ministro da Energia russo, Serguei Tsiviliov, reconheceu esta terça-feira que se formam filas nos postos de abastecimento, mas garantiu que as autoridades "estão a trabalhar ativamente" para resolver a situação.

O Governo russo tinha autorizado previamente a venda de combustível Euro-2, abaixo dos padrões de qualidade habituais do Euro-5, para abastecer o mercado interno, e proibiu a exportação de gasóleo.

Pub

Os especialistas alertaram que os requisitos de qualidade mais baixos para a produção de combustível podem representar um risco para os proprietários de automóveis com sistemas de controlo de emissões modernos e eletrónica sofisticada, uma vez que a queima deste combustível produz compostos corrosivos que podem acelerar o desgaste dos equipamentos.

A primeira vaga da crise de combustível começou em maio na Rússia e, embora tenha melhorado durante um breve período no início do verão, voltou novamente a piorar com o regresso dos ataques ucranianos.

Kiev tem visado cada vez mais tanto refinarias como retalhistas em território russo, ataques esses que o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou como "sanções de longo alcance", precisamente por afetarem a economia de Moscovo.

Pub

No início de agosto, o Centro de Investigação sobre Energia e Ar Limpo (CREA) divulgou que as exportações russas de derivados de petróleo registaram em julho um mínimo histórico, situando-se nos 4,7 milhões de toneladas, uma queda homóloga de 51%.

Em julho, as exportações de derivados do petróleo da Rússia caíram 23% face ao registado no mês anterior.

O CREA, um organismo independente com sede na Finlândia, atribuiu esta queda precisamente aos contínuos ataques com drones da Ucrânia contra as refinarias russas, que limitaram a capacidade de produção e obrigaram Moscovo a dar prioridade à procura interna para garantir o abastecimento de gasolina e gasóleo.

Pub

De acordo com o relatório, as receitas totais provenientes da exportação de combustíveis fósseis russos diminuíram em julho 12% relativamente ao mês anterior, para 683 milhões de euros por dia.

Na quinta-feira passada, as autoridades russas admitiram que a refinaria de Orsk, na região de Oremburgo, perto dos montes Urais, atacada pela Ucrânia, estava inoperacional e que as reparações devem demorar seis meses.

No final de julho, os meios de comunicação social internacionais noticiaram que a refinaria na região de Ryazan, a sul de Moscovo, tinha ficado inoperacional após ataques ucranianos e que, neste caso, as reparações levariam semanas.

Pub

Em relação à refinaria de Tyumen, que fica a quase 2.000 quilómetros da fronteira russo-ucraniana, na Sibéria Ocidental, não se sabe quando as operações serão retomadas.

As autoridades russas foram obrigadas a importar gasolina do estrangeiro, nomeadamente de países como a Índia.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar