Europa exige Ucrânia nas negociações de paz
Principais líderes europeus pedem a Trump que pressione Putin a aceitar um cessar-fogo antes de definir outros cenários
Os principais líderes europeus apresentaram aos Estados Unidos uma contraproposta às reivindicações russas para a paz na Ucrânia, a quatro dias do encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin, no Alasca. Segundo os subscritores do documento, qualquer acordo sobre a Ucrânia tem de envolver Kiev nas negociações e que o primeiro passo é alcançar um cessar-fogo, antes de avançar com qualquer outra medida.
“A Ucrânia tem a liberdade de escolher o seu próprio destino. As negociações significativas só podem ter lugar no contexto de um cessar-fogo ou de uma redução das hostilidades. O caminho para a paz na Ucrânia não pode ser decidido sem a Ucrânia. Continuamos empenhados no princípio de que as fronteiras internacionais não podem ser alteradas pela força. A atual linha de contacto deverá ser o ponto de partida das negociações", defendem os líderes europeus, que consideram, ainda, que qualquer solução diplomática “deve proteger os interesses vitais da Ucrânia e da Europa em matéria de segurança".
A Rússia tem dado sinais de abertura com vista à resolução do conflito, desde que sejam reconhecidas as quatro regiões que afirma ter anexado (Lugansk, Donetsk, Zaporizhzhia e Kherson), para além da Crimeia, esta anexada em 2014. Contudo, o presidente ucraniano tem-se mostrado irredutível quanto à questão territorial, garantido que “a Ucrânia não dará as suas terras ao ocupante”. Mas a posição europeia nesta matéria está, de alguma forma, alinhada com a ideia defendida por Donald Trump, que vê na troca de território a solução para acabar com a guerra.
Segundo o Wall Street Journal, embora os europeus entendam que "não se pode iniciar um processo cedendo território no meio de um conflito”, sublinhando que primeiro é preciso um cessar-fogo, admitem que essa troca possa ocorrer, desde que “de forma recíproca”.
A declaração é assinada pelo presidente francês Emmanuel Macron, a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, o chanceler alemão Friedrich Merz, o primeiro-ministro polaco Donald Tusk, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen e o presidente finlandês Alexander Stubb.
"Continuamos a manter-nos firmemente ao lado da Ucrânia. Estamos unidos como europeus e determinados a promover conjuntamente os nossos interesses. E continuaremos a cooperar estreitamente com o presidente Trump e com os Estados Unidos da América, bem como com o presidente Zelensky e o povo da Ucrânia, para uma paz na Ucrânia que proteja os nossos interesses vitais em matéria de segurança", lê-se no documento.
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