Kallas anuncia 80 milhões de euros para reforçar sistema energético da Ucrânia

Chefe da diplomacia europeia acrescentou que a omissão continua a trabalhar para mobilizar mais ajuda para a Ucrânia.

31 de março de 2026 às 21:14
Kaja Kallas com Volodymyr Zelensky Foto: AP
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A chefe da diplomacia europeia anunciou esta terça-feira em Kiev a atribuição de 80 milhões de euros provenientes dos lucros dos ativos russos congelados para ajudar ao reforço do sistema energético da Ucrânia.

Após o anúncio, feito durante uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 Estados-membros da União Europeia (UE), a Alta Representante da UE para a Política Externa, Kaja Kallas, acrescentou que a Comissão Europeia continua a trabalhar para mobilizar mais ajuda para a Ucrânia.

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Na abertura da reunião informal, também tomou a palavra o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que lamentou que o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, continue a bloquear o empréstimo à Ucrânia de 90 mil milhões de euros, aprovado pela UE em dezembro, e falou das consequências desse veto.

Segundo Zelensky, a Ucrânia já perdeu um mês de preparação para o próximo inverno, ao não conseguir aceder ao empréstimo de cinco mil milhões de euros destinado a proteger as infraestruturas energéticas ucranianas, que a Rússia bombardeou maciçamente no início deste ano, no período mais frio que a Ucrânia viveu em décadas.

"Isto não passa de um pacto com Moscovo", comentou Zelensky sobre o veto do primeiro-ministro húngaro ao empréstimo de Bruxelas.

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A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após o desmoronamento da União Soviética - e que tem vindo a afastar-se da esfera de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.

A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia a cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kiev têm visado alvos militares em território russo e na península da Crimeia, ilegalmente anexada por Moscovo em 2014.

No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda quatro regiões -- Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - além da península da Crimeia anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO.

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Estas condições -- constantes do plano de paz apresentado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para solucionar o conflito - são consideradas inaceitáveis pela Ucrânia, que exige um cessar-fogo antes de entabular negociações de paz com Moscovo e que os aliados europeus lhe forneçam sólidas garantias de que não voltará a ser alvo de ataque.

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