Merz rejeita suspender sanções à Rússia por solidariedade com Kiev

Chefe do Governo alemão afirmou que a Alemanha está preparada, se necessário, para suportar uma fase de preços elevados dos hidrocarbonetos.

10 de março de 2026 às 15:30
Friedrich Merz Foto: Filip Singer/Epa
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O chanceler alemão rejeitou esta terça-feira qualquer suspensão das sanções à Rússia, após o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado na segunda-feira o levantamento temporário das penalidades às petrolíferas russas.

"Não há motivo para pensar em relaxar as suspensões à Rússia", disse Friedrich Merz. numa conferência de imprensa em Berlim com o homólogo checo, Andrej Babis.

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"Se tivermos de escolher entre sanções e solidariedade, a nossa atitude é clara, estamos do lado da Ucrânia", acrescentou o chefe do Governo alemão, ao mesmo tempo que afirmou que a Alemanha está preparada, se necessário, para suportar uma fase de preços elevados dos hidrocarbonetos.

Trump disse na segunda-feira que vai suspender algumas sanções sobre o petróleo "para baixar os preços", após o valor do barril de crude ter disparado devido à guerra com o Irão.

Segundo o Presidente dos Estados Unidos, a decisão visa "estabilizar os preços e garantir o fluxo de petróleo através de zonas estratégicas como o Golfo", uma região afetada pela campanha de bombardeamentos dos EUA e de Israel contra o Irão iniciada em 28 de fevereiro.

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"Vamos também levantar algumas sanções relacionadas com o petróleo para baixar os preços. Temos sanções contra certos países. Vamos levantar essas sanções até que a situação melhore. Depois disso, quem sabe? Talvez não precisemos de repor as sanções. Haverá muita paz", referiu o chefe de Estado norte-americano numa conferência de imprensa na Florida, após falar por telefone com o Presidente russo, Vladimir Putin.

"A ajuda à Ucrânia não deve parar, temos de continuar a apoiar para travar a guerra de agressão russa", sublinhou Merz.

A Alemanha é o país europeu que mais apoio militar prestou à Ucrânia, com um montante estimado em 20 mil milhões de euros até dezembro de 2025, de acordo com dados do Instituto de Kiel, um centro alemão de estudos económicos que regista a ajuda internacional ao país invadido pela Rússia.

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Na semana passada, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse à estação Fox Business que o Governo estava a considerar suspender as sanções ao crude russo para melhorar o fornecimento global e controlar os fortes aumentos de preços após o início da guerra de preços.

Anteriormente, o Tesouro anunciou que permitiria à Índia comercializar petróleo russo retido no mar durante 30 dias.

Trump descreveu ainda a conversa telefónica com Putin como "muito boa", sublinhando que envolveu temas como "a Ucrânia, uma guerra sem fim".

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"Mas acho que esta chamada foi positiva nesse sentido", acrescentou.

Donald Trump revelou que pediu ao homólogo russo que pusesse fim à guerra na Ucrânia "se quisesse ajudar" a atenuar o conflito de Washington com o Irão no Médio Oriente.

A conversa foi a primeira entre Trump e Putin desde dezembro de 2025.

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Durante a conversa, Putin manifestou o apoio inabalável de Moscovo a Teerão após a eleição de Mojtaba Khamenei como sucessor do seu pai, o 'ayatollah' Ali Khamenei, enquanto Trump considerou isso inaceitável.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano". No primeiro dia de ataques, mataram o líder supremo iraniano, bem como dezenas de responsáveis militares.

Em resposta, o Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre, Azerbaijão e na Turquia.

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