Encontrados corpos de mais de 1200 civis desde a saída dos russos de Kiev
Enorme coluna militar russa com 13 quilómetros de extensão avança para o Leste do país.
As autoridades ucranianas descobriram este domingo uma nova vala comum com “dezenas de corpos” de civis nos arredores de Kiev e estão a investigar mais um possível massacre cometido pelas tropas russas. A notícia foi conhecida no mesmo dia em que foram divulgadas imagens de satélite de uma enorme coluna militar russa a caminho da região do Donbass, onde o Governo ucraniano espera “grandes batalhas” que poderão decidir o desfecho da guerra.
A nova vala comum foi descoberta na aldeia de Buzova, 50 quilómetros a oeste da capital ucraniana. Trata-se de um poço situado junto a uma bomba de gasolina e, numa primeira investigação, foram recuperados os corpos de pelo menos dois civis. O presidente da câmara local, Taras Didych, disse depois que a vala poderá conter “dezenas de corpos” e que as escavações prosseguem. As circunstâncias em que os civis foram mortos são desconhecidas.
A procuradora-geral ucraniana, Iryna Venediktova, disse este domingo que as autoridades ucranianas já encontraram os corpos de 1222 civis desde a retirada das tropas russas da região de Kiev e identificaram cerca de 500 militares russos suspeitos de crimes de guerra.
Aumentam, entretanto, os sinais de que a Rússia está a preparar uma grande ofensiva na região do Donbass, no Leste da Ucrânia, após ter, aparentemente, abdicado do objetivo de tomar Kiev devido à feroz resistências das forças ucranianas. Imagens de satélite captadas sexta-feira a leste de Kharkiv e domingo divulgadas mostram uma longa coluna de blindados e artilharia russa com mais de 13 quilómetros de extensão a caminho do Leste do país. Peritos militares dizem que a Rússia poderá tentar avançar simultaneamente a partir do Norte e do Sul para cercar as forças ucranianas na região, que dizem estar preparadas para “grandes batalhas”. O objetivo russo será garantir o controlo sobre toda a zona do Donbass, além de consolidar o corredor terrestre entre a Crimeia e o Sul da Rússia.
"Putin ameaça todo o projeto europeu"
O Presidente Volodymyr Zelensky voltou, este domingo, a alertar que a agressão russa é dirigida "contra todo o projeto europeu" e não só contra a Ucrânia. "É por essa razão que apoiar o desejo de paz da Ucrânia não é apenas um dever moral de todas as democracias europeias, mas uma estratégia de defesa de cada país civilizado", afirmou Zelensky num vídeo publicado sábado à noite, no qual voltou a apelar a um embargo total à compra de gás e petróleo russos, que disse serem a fonte "de toda a autoconfiança e impunidade da Rússia".
Diálogo com Putin só após batalha no Leste
O Governo de Kiev disse, este domingo, que o PR Zelensky só se encontrará com Putin após as "grandes batalhas" que se avizinham no Donbass. "Temos de ganhar para ditar as condições."
Dezenas de russos identificados em Bucha
As autoridades ucranianas já conseguiram identificar 80 dos 1060 militares russos que estiveram em Bucha, numa tentativa de localizar os responsáveis pela morte de civis.
Pormenores
Aeroporto destruído
O Aeroporto de Dnipro, no Leste da Ucrânia, foi este domingo atingido por vários rockets russos, tendo ficado "completamente destruído". Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas no ataque, dizem as autoridades locais.
Mais crimes e brutalidade
O Conselheiro de Segurança da Casa Branca disse este domingo que o novo comandante da operação militar russa na Ucrânia, general Alexander Dvornikov, foi nomeado por Putin para "orquestrar mais crimes e brutalidade" contra os civis ucranianos.
Manifestação reprimida
As tropas russas dispersaram, este domingo, uma manifestação pacífica contra a ocupação na cidade de Kherson, no Sul da Ucrânia. Um responsável local disse que os manifestantes pretendiam apenas homenagear os civis que foram vítimas da agressão russa. Não há notícia de feridos ou detenções.
Troca de prisioneiros
A Rússia confirmou a troca de prisioneiros de guerra com a Ucrânia, que ocorreu no sábado, afirmando que entre os russos libertados há vários militares, civis e funcionários da agência nuclear russa Rosatom. Houve ainda uma troca de camionistas dos dois países que estavam detidos desde o início da invasão.
Material radioativo
A Ucrânia acusou as tropas russas que ocuparam a Central Nuclear de Chernobyl de roubarem material radioativo dos laboratórios e alertaram que o manuseamento destas substâncias de forma não profissional pode ser letal.
Punir a Rússia na ONU
O magistrado britânico Geofrey Nice, que liderou a acusação contra o ex-líder sérvio Slobodan Milosevic no TPI, defendeu que a Rússia deve ser expulsa do Conselho de Segurança da ONU ou perder o direito de veto.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt