Portugal apoia proposta para impedir entrada na UE de combatentes russos

Paulo Rangel prestou declarações aos jornalistas à margem da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, no Luxemburgo.

15 de junho de 2026 às 14:10
Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros Foto: Miguel A. Lopes/Lusa
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O ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou esta segunda-feira que Portugal apoia a proposta da Comissão Europeia para impedir a entrada na UE de combatentes russos que participaram na guerra na Ucrânia.

"Somos a favor. As sanções são sempre um pacote, portanto, se cada um fizesse sozinho, desenharia de certa maneira, mas, nesse caso, não nos cria nenhum problema", afirmou Paulo Rangel em declarações aos jornalistas à margem da reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, no Luxemburgo.

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O chefe da diplomacia portuguesa respondia a uma pergunta sobre se apoia a proposta da Comissão Europeia para impedir a entrada em solo europeu de qualquer combatente russo que tenha participado na guerra na Ucrânia, uma medida que consta do 21.º pacote de sanções à Rússia apresentado pelo executivo comunitário na semana passada e ainda carece da aprovação por unanimidade dos 27 Estados-membros para poder ser aplicado.

Paulo Rangel referiu que Portugal apoia o 21.º pacote de sanções à Rússia, assim como a abertura dos primeiros capítulos das negociações de adesão à UE da Ucrânia e da Moldova, a formalizar esta tarde, no Luxemburgo, no âmbito de duas conferências intergovernamentais que se vão realizar à margem da cimeira dos ministros dos Negócios Estrangeiros.

"Julgamos que isso é um passo muito, muito importante", referiu.

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Rangel considerou que é eventualmente devido à abertura formal das negociações de adesão e à "aproximação da Ucrânia à UE" que a Rússia atacou esta segunda-feira com "significado maior" o país, incluindo a catedral histórica de Petchersk [da Dormição, em português], em Kiev.

"São ataques inaceitáveis da Federação Russa, em particular o facto de ter atingido a catedral de Petchersk, um edifício religioso do século XI e, portanto, da própria fundação da identidade ucraniana. Tem esse significado identitário e é uma instalação religiosa que, obviamente, tem um estatuto, neste caso até de património comum da humanidade, que deveria estar a salvo de qualquer ataque", referiu.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia de atacar deliberadamente uma zona histórica de Kiev, onde se situa uma catedral danificada na vaga de ataques aéreos noturnos, acusação rejeitada por Moscovo.

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A catedral da Dormição integra o conjunto monástico do Mosteiro das Grutas de Kiev, um dos mais importantes centros espirituais da Igreja Ortodoxa na Ucrânia e classificado como Património Mundial pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

Nestas declarações aos jornalistas, o ministro foi ainda questionado sobre quem é que está a bloquear a imposição de sanções aos ministros israelitas de extrema-direita, Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, apoiadas por Portugal e novamente a ser debatidas pelos governantes.

Sem querer "fazer nenhuma revelação", Paulo Rangel disse ser "muito importante" que a UE decida impor sanções aos ministros, em particular a Ben-Gvir, mas também que dê "outros sinais" no que se refere à deterioração que continua a ocorrer na Cisjordânia, com os colonatos, onde a situação de violência está a aumentar.

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"Era importante haver sinais a esse respeito, porque, de facto, esses comportamentos não só minam a solução dos dois Estados, como são potenciadores de perturbar a questão do memorando de entendimento e da paz no Golfo", disse, numa altura em que os chefes das diplomacias da UE estão a debater se restringem parcial ou totalmente o comércio com os colonatos judaicos na Cisjordânia.

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