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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Paternidade não seria móbil para homicídio de grávida da Murtosa

Juízes do Tribunal da Relação do Porto dizem que Fernando Valente rapidamente conseguiria perceber que não era o pai do filho que Mónica Silva esperava. Desembargadores arrasam investigação.

14 de junho de 2026 às 21:34

Os juízes do Tribunal da Relação do Porto que confirmaram a absolvição de Fernando Valente sustentam que o empresário não tinha qualquer motivo para suspeitar que fosse o pai do filho que Mónica Silva esperava. No acórdão, os magistrados dizem que Mónica, à data com 33 anos, teria engravidado em março de 2023 e que apenas tinha mantido relações sexuais com Fernando dois meses antes. É dado como provado ainda um segundo encontro, mas já em julho. O Ministério Público sustentava que tinha sido este o móbil do crime, que Fernando Valente não queria assumir uma eventual paternidade. Dizem agora os juízes que o empresário facilmente conseguiria rapidamente dissipar qualquer dúvida.

"A mera informação ao arguido de que esse tempo de gravidez seria de 7 meses seria suficiente para de imediato este perceber que não seria ele o pai da criança gerada por Mónica Silva, pois que – quer na sua versão de que a última relação sexual ocorrera em Janeiro, quer na consideração de que, como acima decidido, ainda se teriam relacionado em Julho – não haviam ocorrido relações sexuais entre ambos no período em que a gravidez fora gerada", dizem os juízes.

Os magistrados consideram ainda que não é plausível que em algum momento, Mónica tenha também tivesse equacionado que fosse Fernando o pai. Referem ainda que também neste ponto, o Ministério Público "extrapolou nas suas conclusões". Na decisão de 318 páginas, os juízes apontaram diversas fragilidades na investigação e na prova usada pelos procuradores para formularem uma acusação. É dado apenas como provado o desaparecimento da grávida da Murtosa, em outubro de 2023. Dizem os juízes que não se pode dar como provado que ocorreu um homicídio e que o autor tenha sido Fernando Valente.

SAIBA MAIS

Homicídio por provar

Na decisão da Relação é dado apenas como provado o desaparecimento da grávida em outubro de 2023. Dizem os juízes que não se pode dar como provado que ocorreu um homicídio e que o autor tenha sido Fernando Valente.

Relação mantém decisão

Na sequência da decisão do tribunal de júri de Aveiro, de julho de 2025, foram interpostos recursos pelo Ministério Público e pela família de Mónica. Na semana passada, a Relação do Porto manteve a absolvição de Valente.

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