União Europeia dá 'puxão de orelhas' a Zelensky

Estados-membros da UE não gostaram de ouvir o presidente ucraniano ameaçar o primeiro-ministro húngaro, que se recusa a desbloquear o empréstimo europeu de 90 mil milhões de euros.

07 de março de 2026 às 01:30
Está instalada uma guerra aberta entre o primeiro-ministro húngaro e o Presidente da Ucrânia. UE está ao lado de Órban Foto: Sergey Dolzhenko/Lusa
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A ‘declaração de guerra’ de Zelensky ao primeiro-ministro húngaro, Viktor Órban, não caiu bem no seio da União Europeia. Em causa, a ameaça feita pelo Presidente ucraniano ao chefe do Governo magiar, que se opõe à transferência de 90 mil milhões de euros para Kiev. “Esperamos que essa pessoa [Viktor Órban] não bloqueie esse empréstimo. Caso contrário, daremos o endereço dessa pessoa às nossas Forças Armadas, aos nossos soldados. Que lhe telefonem e falem com ele na sua língua [a das Forças Armadas]”, declarou Zelensky. Na base do diferendo, o fornecimento de petróleo russo através do oleoduto Druzhba, cujo troço que atravessa a Ucrânia foi danificado por um ataque aéreo russo em janeiro.

Órban acusa Kiev de estar a atrasar a sua reparação e consequentemente a sua reabertura, bloqueando o fornecimento de petróleo à Hungria. “Esse tipo de linguagem é inaceitável. Não pode haver ameaças a Estados-membros da UE”, alertou o porta-voz-adjunto da Comissão Europeia, Olof Gill, avisando a Ucrânia que “uma escalada de retórica não ajuda nem é propícia” a um apoio a Kiev. “A Comissão Europeia está a tomar todas as medidas possíveis para pressionar a Rússia e pôr fim à sua guerra de agressão”, assegurou Olof Gill. A Hungria também já reagiu às palavras de Zelensky, pela voz do seu ministro dos Negócios Estrangeiros. “Isto ultrapassa os limites. Ninguém pode ameaçar a Hungria ou o seu primeiro-ministro”, disse Péter Szijjártó.

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