Hungria exige que a Ucrânia retome o trânsito de petróleo por esse oleoduto como condição para dar "luz verde" ao 20.º pacote de sanções europeias à Rússia.
A presidente da Comissão Europeia garantiu, esta terça-feira, em Kiev, que a União Europeia (UE) irá conceder, "de uma forma ou de outra", o empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, apesar do veto da Hungria.
"O empréstimo foi acordado pelos chefes de Estado e de Governo no Conselho Europeu. Deram a sua palavra. Essa palavra não pode ser quebrada. Por isso, cumpriremos o empréstimo de uma forma ou de outra. Permitam-me ser muito clara: temos diferentes opções e iremos utilizá-las", afirmou Ursula von de Leyen, numa conferência de imprensa conjunta com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Kiev, onde se deslocou para assinalar o quarto aniversário da invasão russa da Ucrânia.
Von der Leyen referiu-se igualmente ao 20.º pacote de sanções contra a Rússia, que ficou inviabilizado devido ao veto da Hungria e da Eslováquia, adiantando que "em breve" serão apresentadas novas medidas restritivas para "continuar a reduzir" as receitas de Moscovo e "enfraquecer a sua máquina de guerra".
Questionada sobre a possibilidade de avançar com o pacote de sanções num formato reduzido, excluindo os países que o bloquearam, a líder do executivo comunitário respondeu que "as sanções devem ser adotadas por unanimidade" e que "isso não vai mudar, naturalmente", embora tenha admitido a importância de que o pacote seja aprovado "o mais rapidamente possível".
"Trabalhámos com êxito em 19 pacotes de sanções. Nenhum foi fácil. Tivemos de negociar cada pacote, mas, com a experiência de termos conseguido aprovar 19, estou convencida de que também iremos aprovar o vigésimo. É apenas uma questão de tempo, certamente", acrescentou.
Na conferência de imprensa, ao lado de Zelensky, Von der Leyen instou o líder ucraniano a acelerar os trabalhos de reparação na Ucrânia do oleoduto Druzhba, danificado a 27 de janeiro num ataque russo e que abastece a Hungria e a Eslováquia, danos que serviram de argumento para o bloqueio de Budapeste e de Bratislava das medidas do bloco europeu.
"Pedimos que as reparações do oleoduto sejam aceleradas após os ataques russos", disse Von der Leyen, após condenar os bombardeamentos e destacar que ameaçam a segurança energética da Europa.
A Hungria exige que a Ucrânia retome o trânsito de petróleo por esse oleoduto como condição para dar "luz verde" ao 20.º pacote de sanções europeias à Rússia e à emissão de dívida para financiar o crédito a Kiev aprovado pela UE em dezembro.
Também esta terça-feira, no dia em que se assinalam os quatro anos da invasão russa, a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, assinou esta terça-feiraformalmente o empréstimo à Ucrânia.
O financiamento, que tinha sido já aprovado pelos eurodeputados, inclui 60 mil milhões de euros para reforçar a defesa da Ucrânia e 30 mil milhões de euros para assistência macrofinanceira e apoio orçamental para garantir, nomeadamente, o funcionamento dos serviços públicos essenciais.
O pacote financeiro tem ainda de ser validado pelo Conselho da UE, tendo os ministros dos Negócios Estrangeiros falhado na segunda-feira um acordo sobre o tema, devido ao veto da Hungria e da Eslováquia.
Na sexta-feira, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, anunciou que ia bloquear o empréstimo à Ucrânia até que Kiev retome o trânsito de petróleo russo para a Hungria.
O objetivo era que os presidentes do Conselho Europeu, António Costa, e da Comissão Europeia chegassem, esta terça-feira, de manhã a Kiev com a verba aprovada, bem como com o 20.º pacote de sanções à Rússia, ambos agora por cumprir.
Na segunda-feira, António Costa instou "veementemente" o primeiro-ministro da Hungria a desbloquear o empréstimo de apoio à Ucrânia, lembrando a decisão dos líderes europeus.
"Uma decisão tomada pelo Conselho Europeu deve ser respeitada. Quando os líderes alcançam um consenso, ficam vinculados à decisão e qualquer incumprimento deste compromisso constitui uma violação do princípio da cooperação leal", escreveu António Costa numa carta enviada a Viktor Orbán.
"Nenhum Estado-membro pode ser autorizado a comprometer a credibilidade das decisões tomadas coletivamente pelo Conselho Europeu", avisou, mostrando-se "plenamente empenhado na salvaguarda da segurança energética de todos os Estados-membros".
Os embaixadores dos Estados-membros junto da UE (Coreper) vão continuar a tentar desbloquear uma solução.
A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.