Zelensky disse que há progressos nas negociações mas criticou Moscovo
Presidente ucraniano revelou que as negociações militares estão "próximas da conclusão", estando um texto em fase de elaboração.
O presidente ucraniano, Volodymir Zelensky, disse esta quinta-feira que há progressos nas negociações para um cessar-fogo na Ucrânia mas acusou Moscovo de usar "disparates históricos" para tentar adiar um acordo de paz.
O presidente ucraniano revelou que as negociações militares estão "próximas da conclusão", estando um texto em fase de elaboração.
Zelensky explicou que as negociações estão a ser conduzidas em formato trilateral com os Estados Unidos, que, segundo disse, vão desempenhar um papel significativo em discussões como a monitorização de um eventual cessar-fogo.
Mesmo assim, e após dois dias de negociações em Genebra, o chefe de Estado ucraniano disse em entrevista ao jornalista britânico Piers Morgan, que as conversações estão a avançar em ritmos diferentes.
Os contactos diplomáticos estão divididos entre um grupo que debate questões militares e outro que trata as questões políticas.
Embora as partes estejam "próximas de concluir as negociações sobre o aspeto militar", Zelensky acusou a Rússia de utilizar táticas para evitar decisões, invocando questões históricas para justificar reivindicações territoriais na Ucrânia.
"Não preciso dessas 'tretas' históricas para acabar com a guerra e passar para a diplomacia. Não passa de uma tática dilatória da Rússia", afirmou Zelensky.
O Presidente da Ucrânia referiu que "leu tantos livros de História" como o homólogo russo, Vladimir Putin.
"Aprendi muito. Sei mais sobre o país dele do que ele sabe sobre a Ucrânia", declarou.
O líder ucraniano indicou que "conhece a mentalidade russa" e "não quer perder tempo" com questões secundárias.
"Há uma grande guerra a ser travada contra nós. Esta é a nossa vida", afirmou apelando a um fim rápido para o conflito.
Por outro lado, Zelensky, na mesma entrevista, afirmou que os países europeus devem desempenhar funções em matéria de segurança e defesa, embora tenha admitido que existe uma "discussão difícil" sobre o papel da Europa nas negociações.
As autoridades ucranianas saudaram a presença de representantes do Reino Unido, Alemanha, França e Itália em Genebra durante as conversações.
"É excelente termos os norte-americanos como nossos parceiros. Mas sublinho repetidamente que acredito que também precisamos de representantes europeus", declarou.
O líder ucraniano insistiu que as negociações devem decorrer na Europa, uma vez que é se trata do continente afetado pela agressão russa.
Zelensky acrescentou que a Rússia tentou "vender" aos cidadãos russos "passos bem sucedidos" nas negociações mas referiu que não há progressos para a Rússia no campo de batalha.
Segundo o chefe de Estado ucraniano a Rússia está a perder "entre 30 mil e 35 mil soldados por mês", entre mortos e militares gravemente feridos, salientando que "cada quilómetro de terra ucraniana" custa ao Exército russo "156 pessoas".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt